A coleta por escarificação, também conhecida como raspado da lesão, deve ser realizada por profissional capacitado, respeitando as normas de biossegurança e utilizando materiais estéreis. Inicialmente, é necessário realizar a limpeza adequada da lesão, removendo secreções, crostas superficiais e impurezas que possam interferir na qualidade da amostra e comprometer a análise microscópica. Após esse preparo, deve-se selecionar, preferencialmente, a borda interna e ativa da lesão, por ser a região com maior probabilidade de apresentar células inflamatórias, especialmente macrófagos infectados pela Leishmania. Com o auxílio de uma lâmina de bisturi, espátula ou outro instrumento estéril, realiza-se uma raspagem cuidadosa da borda da ferida, de modo a obter material celular suficiente para o exame. O material coletado deve ser distribuído sobre uma lâmina de vidro, formando um esfregaço fino e uniforme. Em seguida, a lâmina deve secar ao ar e ser fixada, geralmente com metanol, a fim de preservar as estruturas celulares e parasitárias presentes na amostra. Posteriormente, realiza-se a coloração da lâmina, utilizando métodos como Giemsa ou Panótico Rápido. Essa etapa é fundamental, pois facilita a diferenciação entre as células do hospedeiro e as formas amastigotas do parasito. Após a coloração, lavagem e secagem, a lâmina é analisada ao microscópio, geralmente com objetiva de imersão, buscando-se identificar as formas amastigotas no interior ou nas proximidades dos macrófagos. Dessa forma, a qualidade da coleta, o preparo adequado da lâmina e a correta coloração representam etapas essenciais para aumentar a sensibilidade do exame direto e contribuir para a confirmação laboratorial da leishmaniose tegumentar.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 2. 6. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 13. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2016.
RINCÃO, Vinícius Pires. Parasitologia clínica. Florianópolis, SC: Arqué, 2023.
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