Material de Avaliação Prática da Aprendizagem
A Política Nacional de Humanização (PNH) orienta a qualificação do cuidado no SUS por meio da valorização dos sujeitos, do trabalho em equipe e da corresponsabilização entre profissionais e usuários. Fundamenta-se em práticas como acolhimento, escuta qualificada e construção de vínculo, visando um cuidado integral e centrado na pessoa. Seus dispositivos, como ambiência adequada e gestão participativa, contribuem para a melhoria da qualidade assistencial e da segurança do paciente.

BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). Brasília: Ministério da Saúde, 2013.
Contextualização do Caso (Situação-Problema Fictícia)
Você é enfermeiro(a) recém-integrado(a) a uma unidade de internação hospitalar, passando a assumir responsabilidades assistenciais e gerenciais junto à equipe de enfermagem.
Durante sua atuação inicial, observa que a prática profissional desenvolvida na unidade encontra-se fortemente centrada na execução de procedimentos técnicos, tais como administração de medicamentos, realização de curativos e monitorização clínica. Entretanto, percebe-se que outros aspectos fundamentais do cuidado em enfermagem apresentam fragilidades importantes.
No cotidiano assistencial, evidencia-se pouca atenção às necessidades emocionais, subjetivas e individuais dos pacientes, ações que são realizadas de forma mecanizada, distante da complexidade que caracteriza o processo de cuidar. Adicionalmente, observa-se fragilidade significativa na comunicação entre profissionais, pacientes e familiares.
As orientações são frequentemente transmitidas de maneira rápida, pouco clara e sem garantia de compreensão, não havendo espaço para escuta ativa ou acolhimento das demandas apresentadas.
No que se refere à organização do trabalho, identificam-se limitações relacionadas ao planejamento e à gestão das atividades. As escalas são elaboradas sem critérios bem definidos, há fragilidade na supervisão das ações e pouca integração entre os membros da equipe, o que impacta diretamente na qualidade e na continuidade da assistência prestada.
Por fim, observa-se a ausência de uma abordagem integral ao paciente, que é frequentemente considerado apenas em sua dimensão biológica e clínica. Aspectos sociais, emocionais e familiares não são incorporados ao planejamento e à execução do cuidado, o que contraria os fundamentos da enfermagem enquanto prática voltada à integralidade e à compreensão do sujeito em sua totalidade.
Assim, você, enquanto futuro enfermeiro, também será desafiado nesta atividade mapa a ampliar o seu conhecimento sobre humanização e atuação do enfermeiro.
Em sua atividade mapa, você deverá ler o caso apresentado e, juntamente com o que foi aprendido na disciplina, responder a algumas perguntas separadas em etapas:
ETAPA 1 – ANÁLISE DA PRÁTICA PROFISSIONAL
1.1 Explique por que a prática observada na unidade pode ser considerada reducionista, tendo em vista os fundamentos da enfermagem como profissão.
A prática observada na unidade pode ser considerada reducionista porque limita a atuação da Enfermagem à realização de procedimentos técnicos, como administrar medicamentos, fazer curativos e monitorar sinais clínicos. Essas ações são importantes e fazem parte do cuidado, porém não representam toda a complexidade da profissão. Conforme estudado na disciplina, a Enfermagem tem como base o cuidado em sentido amplo, voltado não apenas para a doença, mas para a pessoa, sua família, sua história, suas necessidades emocionais, sociais e subjetivas.
Nesse sentido, quando o paciente é visto apenas pela dimensão biológica e clínica, sem acolhimento, escuta qualificada, vínculo e atenção à sua integralidade, o cuidado se torna mecanizado e incompleto. A Política Nacional de Humanização também reforça que a assistência deve valorizar os sujeitos, o trabalho em equipe e a corresponsabilização entre profissionais, usuários e familiares, buscando um cuidado integral e centrado na pessoa.
Portanto, a prática descrita é reducionista porque transforma o enfermeiro em mero executor de tarefas, quando sua atuação deve envolver também planejamento, comunicação, supervisão, educação em saúde, ética, humanização e compromisso com a integralidade do paciente.
1.2 Identifique duas fragilidades do cuidado presentes no cenário e justifique com base no conteúdo da disciplina.
No cenário apresentado, uma primeira fragilidade do cuidado é a ausência de uma assistência humanizada e integral. Percebe-se que os pacientes são atendidos de forma mecanizada, com maior preocupação na realização de procedimentos técnicos do que na escuta de suas necessidades emocionais, subjetivas, sociais e familiares. De acordo com o conteúdo da disciplina, a Enfermagem não cuida apenas da doença, mas da pessoa em sua totalidade, considerando sua história, seus sentimentos, sua família e sua condição de vida. Assim, quando o cuidado se limita ao corpo físico e ao aspecto clínico, ele deixa de atender ao fundamento principal da profissão, que é cuidar de pessoas, e não apenas executar tarefas.
A segunda fragilidade é a comunicação frágil entre equipe, pacientes e familiares. No caso, as orientações são transmitidas de maneira rápida, pouco clara e sem verificar se o paciente ou a família realmente compreenderam as informações. Essa situação prejudica o vínculo, a confiança, a segurança do paciente e a continuidade do cuidado. A comunicação é um instrumento essencial da Enfermagem, pois permite acolher, orientar, esclarecer dúvidas e construir uma relação mais humana entre profissional, paciente e família. Além disso, a Política Nacional de Humanização destaca a importância do acolhimento, da escuta qualificada e da corresponsabilização no cuidado, aspectos que estão fragilizados no cenário descrito.
ETAPA 2 – PROCESSO DE CUIDAR E COMUNICAÇÃO
2. Analise o papel da comunicação no processo de cuidar e proponha duas estratégias que possam qualificar a comunicação entre equipe, paciente e família. Justifique-as!
A comunicação é fundamental no processo de cuidar, pois permite que o enfermeiro compreenda melhor o paciente, acolha suas dúvidas e necessidades e crie uma relação de confiança com ele e sua família. Quando a comunicação é falha, o cuidado fica prejudicado, pois o paciente pode não entender as orientações e se sentir inseguro.
Uma primeira estratégia seria praticar a escuta qualificada, dando espaço para que o paciente e a família falem sobre suas dúvidas, medos e dificuldades. Isso torna o atendimento mais humano e ajuda a equipe a cuidar de forma mais integral.
Outra estratégia seria melhorar as orientações dadas pela equipe, usando uma linguagem simples e confirmando se o paciente e a família entenderam as informações. Assim, evita-se erro, melhora-se a segurança do paciente e fortalece-se a continuidade do cuidado.
ETAPA 3 – QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO EM ENFERMAGEM
3. Proponha duas intervenções que favoreçam a qualificação do cuidado, considerando uma abordagem ética, profissional, gerencial e centrada na integralidade do paciente.
Uma primeira intervenção seria fortalecer a assistência humanizada, criando momentos de acolhimento e escuta para que o paciente seja visto além da doença. A equipe deve considerar suas necessidades físicas, emocionais, sociais e familiares, respeitando sua dignidade, sua individualidade e sua participação no próprio cuidado.
A segunda intervenção seria melhorar a organização do trabalho da equipe de enfermagem, com escalas bem definidas, supervisão mais presente e reuniões rápidas para alinhar as condutas. Isso ajuda a distribuir melhor as responsabilidades, melhora a comunicação entre os profissionais e garante uma assistência mais segura, ética e contínua ao paciente.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). 1. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf. Acesso em: 2 abr. 2026.
SILVA, Vladimir Araújo da. A Enfermagem como Profissão. Maringá: UniCesumar, 2022.


