A partir da leitura do texto “Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje”, responda as questões a seguir
1) Complete o Quadro 1, de acordo com as informações apresentadas no artigo.
Quadro 1. Valores Culturais do Corpo.
| Período | Conceito de Corpo |
| Idade Antiga | Na Idade Antiga, especialmente na cultura grega, o corpo era valorizado como manifestação de beleza, força, harmonia e equilíbrio. O ideal corporal estava associado à formação integral do cidadão, às competições esportivas, às práticas realizadas nos ginásios e ao cuidado de si, compreendendo a relação entre corpo e alma. Nesse contexto, a nudez masculina podia ser exposta e celebrada publicamente como símbolo de vigor físico, disciplina e pertencimento à vida social. Na sociedade romana, embora permanecesse a influência dos padrões estéticos gregos, a percepção do corpo adquiriu características próprias. Passou a relacionar-se de maneira mais intensa ao poder, à resistência física e ao espetáculo público, como se observa nas lutas de gladiadores. Assim, a robustez e a força corporal tornaram-se elementos importantes na representação da autoridade e do entretenimento na cultura romana. |
| Idade Média | Na Idade Média, sob significativa influência do cristianismo, difundiu-se uma compreensão marcada pela distinção entre corpo e alma. Em muitos discursos religiosos, o corpo passou a ser associado à dimensão terrena, aos desejos e às tentações, razão pela qual deveria ser controlado, disciplinado e purificado. A alma, considerada superior, ocupava posição central na busca pela salvação espiritual. Nesse contexto, práticas como jejuns, penitências, mortificações e restrições dos prazeres corporais eram entendidas como formas de fortalecer a espiritualidade e conter os impulsos considerados pecaminosos. Entretanto, a visão medieval do corpo não se limitava à sua negação, pois também existia uma valorização religiosa do corpo sofredor de Cristo, compreendido como símbolo de sacrifício, redenção e salvação. |
| Idade Moderna | Na Idade Moderna, especialmente a partir do Renascimento, o corpo passou a ocupar uma posição central nas investigações científicas e nas representações artísticas. O fortalecimento do antropocentrismo e o avanço do método científico favoreceram estudos mais sistemáticos nas áreas da anatomia, da medicina, da arte e da análise do movimento humano, permitindo que o corpo fosse observado, descrito e compreendido com maior objetividade. Com o desenvolvimento do pensamento moderno e da concepção dualista entre corpo e mente, o corpo passou a ser entendido como objeto de estudo e como uma estrutura semelhante a uma máquina, subordinada à razão e passível de controle. Posteriormente, com a consolidação do capitalismo e o avanço da industrialização, o corpo também assumiu uma dimensão produtiva, sendo disciplinado, treinado e organizado para atender às exigências do trabalho, da eficiência e da produtividade. |
| Idade Contemporânea | Na Idade Contemporânea, o corpo passou a constituir um importante espaço de construção da identidade, de consumo, de exposição midiática e de intervenção tecnológica. Nesse período, tornou-se frequente a divulgação de padrões corporais associados à beleza, à juventude, à magreza, à força e ao desempenho, fazendo com que os indivíduos sejam, muitas vezes, valorizados ou estigmatizados conforme sua proximidade ou distanciamento desses modelos. Além disso, o corpo passou a ser compreendido como um projeto individual, relacionado à saúde, à aparência, ao bem-estar e à ideia de sucesso pessoal. O desenvolvimento das biotecnologias, dos procedimentos estéticos e dos recursos digitais ampliou as possibilidades de transformação e controle corporal. A internet, as redes sociais, a realidade virtual e as novas formas de comunicação também passaram a influenciar a maneira como as pessoas percebem, representam e vivenciam seus próprios corpos. |
2) Quais as principais diferenças encontradas no conceito de corpo durante os períodos analisados no quadro acima?
| As principais diferenças entre os períodos históricos estão relacionadas aos sentidos sociais, culturais, religiosos e científicos atribuídos ao corpo. Na Idade Antiga, especialmente entre os gregos, ele era associado à beleza, à harmonia, à força e à formação do cidadão. Na Idade Média, prevaleceu a compreensão do corpo como espaço dos desejos e das tentações, devendo ser disciplinado e controlado em benefício da alma e da salvação espiritual. Na Idade Moderna, o corpo foi retomado como objeto de interesse artístico e científico, passando a ser estudado por áreas como a anatomia, a medicina e a biomecânica. Ao mesmo tempo, difundiu-se a concepção do corpo como máquina, submetido à razão, à disciplina e às exigências da produtividade. Já na Idade Contemporânea, o corpo é compreendido como construção social, expressão da identidade e projeto individual, sendo influenciado pela mídia, pelo consumo, pela tecnologia, pela estética, pela saúde e pelo desempenho. Dessa forma, percebe-se que o corpo não apresenta um significado único, fixo ou exclusivamente natural. Em cada contexto histórico, sua compreensão reflete valores, crenças, relações de poder e necessidades sociais específicas. |
3) Entendendo o conceito de corpo que se apresenta nos dias de hoje, descreva a relação que se estabelece entre tal conceito de corpo e o mundo do trabalho do profissional de Educação Física:
R.
4. Referencie o artigo utilizado de acordo com as normas ABNT (acesse a sala do café e verifique o arquivo sobre referências ABNT):
BARBOSA, Maria Raquel; MATOS, Paula Mena; COSTA, Maria Emília. Um olhar sobre o corpo: o corpo ontem e hoje. Psicologia & Sociedade, Belo Horizonte, v. 23, n. 1, p. 24-34, 2011. Disponível em: https://www.scielo.br/j/psoc/a/WstTrSKFNy7tzvSyMpqfWjz/. Acesso em: 21 jun. 2026.
HEROLD JUNIOR, Carlos. História da Educação Física. Maringá, PR: UniCesumar, 2018. Reimpresso em 2021.
