Ao observar o estudante apresentado no vídeo, percebe-se que suas dificuldades em Matemática não devem ser compreendidas como falta de esforço ou desinteresse. Elas podem estar relacionadas a sinais de discalculia, um Transtorno Funcional Específico que interfere no desenvolvimento das habilidades matemáticas.
A primeira dificuldade observada está na compreensão de números, quantidades e sequências numéricas. O estudante demonstra insegurança ao relacionar o número escrito ao seu valor real, comparar quantidades e acompanhar a lógica das atividades. Essa situação pode gerar ansiedade, medo de errar e afastamento das tarefas propostas.
Para essa dificuldade, uma estratégia adequada é o uso de materiais concretos e recursos visuais, como palitos, tampinhas, blocos, desenhos, quadro numérico e jogos pedagógicos. Esses recursos auxiliam o aluno a visualizar as quantidades antes de trabalhar apenas com símbolos abstratos, tornando a aprendizagem mais concreta e significativa.
A segunda dificuldade refere-se à resolução de operações e problemas matemáticos. O estudante pode confundir sinais, esquecer etapas do cálculo ou apresentar dificuldade na compreensão dos enunciados. Na prática, isso aparece quando ele não sabe por onde iniciar a atividade ou como organizar o raciocínio.
Nesse caso, o professor pode utilizar comandos destacados, enunciados curtos, leitura mediada e orientação passo a passo. Também é importante oferecer mais tempo para a realização das tarefas e, quando necessário, permitir apoios como tabuada, calculadora simples, folha quadriculada ou esquemas visuais.
Essas adaptações ajudam a organizar o pensamento do estudante e reduzem a sobrecarga diante da atividade. Ao dividir o exercício em etapas menores, o professor favorece a compreensão, a participação, a confiança e a autonomia do aluno.
Dessa forma, trabalhar com estudantes que apresentam sinais de discalculia exige sensibilidade, planejamento e conhecimento pedagógico. A dificuldade não representa incapacidade de aprender, mas uma forma diferente de construir conhecimentos, que precisa ser respeitada.
Portanto, conhecer os Transtornos Funcionais Específicos é fundamental para a prática docente, pois permite identificar sinais, evitar julgamentos e propor intervenções adequadas. As adaptações curriculares garantem acesso ao conteúdo, participação e aprendizagem com equidade, fortalecendo o papel da escola inclusiva.
Referências
BRIDI, C. A. F. et al. Discalculia e intervenção psicopedagógica: Alan: o aprendiz na conexão dos números. In: ROTTA, N. T.; BRIDI, C. A. F.; BRIDI, F. R. S. Neurologia e aprendizagem: abordagem multidisciplinar. Porto Alegre: Artmed, 2016. p. 257-271.
CARVALHO, Tereza Cristina de. Educação inclusiva. Maringá: UniCesumar, 2023.
COELHO, Diana T. A discalculia. [S. l.]: YouTube, [s. d.]. Disponível em: https://www.youtube.com/watch?v=8m14OxENQ6g. Acesso em: 2 jun. 2026.
REBELO, J. A. Dificuldades de aprendizagem em matemática: as suas relações com problemas emocionais. Revista Portuguesa de Pedagogia, Coimbra, v. 2, p. 227-249, 1998.


