
CARO(A) ALUNO(A), seja bem-vindo(a) à atividade MAPA (Material de Avaliação Prática de Aprendizagem) da disciplina de Bioestatística e Epidemiologia.
Instruções iniciais:
Utilize o modelo de MAPA padrão, que foi disponibilizado em “Material da Disciplina”, para realizar esta atividade. Siga todas as instruções constantes neste modelo.
Assista ao vídeo com as instruções para a realização do MAPA que está na “Sala do Café”.
CONTEXTUALIZAÇÃO
Considere hipoteticamente que você, futuro profissional da área da saúde, decida participar de um processo seletivo para o quadro de funcionários de uma multinacional. Esse processo seletivo será dividido em duas etapas, sendo a primeira com a resolução de uma prova escrita, de questões envolvendo bioestatística e epidemiologia e, a segunda etapa será entrevista com os gestores da multinacional, que foram aprovados na primeira fase.
DESENVOLVENDO O TRABALHO
Imagine que você está fazendo hoje a primeira etapa do processo seletivo. Com isso, responda às questões abaixo:
ETAPA 1
Prova sobre os conhecimentos básicos de bioestatística e epidemiologia
Questão 01
O tromboembolismo venoso acontece quando um coágulo se forma na circulação sanguínea, prejudicando o fluxo de sangue nas veias pelo organismo. Essa doença é muito comum e, quando não tratada corretamente, pode se agravar e até levar a morte. Ela atinge uma pessoa a cada mil por ano e é uma das principais causas de óbitos no mundo. Quando o paciente já está internado, a prevenção é realizada com medicamentos anticoagulantes.
Fonte: < https://www.pfizer.com.br/sua-saude >. Acesso: 13 mar 2025. (com adaptações)
Um estudo hipotético de 2024 com 600 mulheres usuárias de anticoagulante oral avaliou a associação entre tromboembolismo e tipo sanguíneo. Entre as participantes, 165 tiveram tromboembolismo. O tipo A foi o mais comum (249 pacientes), seguido dos tipos O (237) e B (81). Entre as pacientes sem tromboembolismo, 210 eram do tipo O, 153 do tipo A e 57 do tipo B. Com base nas informações fornecidas, COMPLETE os números faltantes da tabela abaixo:
Tabela – presença de tromboembolismo e grupo sanguíneo em estudo de 2024.
| Grupo Sanguíneo | Tromboembolismo | Total | |
| Doente Sadia | |||
| A | Complete aqui | 153 | 249 |
| B | Complete aqui | 57 | 81 |
| AB | Complete aqui | Complete aqui | Complete aqui |
| O | Complete aqui | 210 | 237 |
| TOTAL | 165 | Complete aqui | 600 |
Questão 02
A dieta cetogênica — caracterizada pelo baixo consumo de carboidratos e alto teor de proteínas e gorduras — pode contribuir para a perda de peso. No entanto, pode também elevar os níveis de colesterol ruim e reduzir a quantidade de bactérias intestinais benéficas à saúde. Essas conclusões foram obtidas em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido, e publicado na revista Cell Reports Medicine.
Essa dieta é definida pela ingestão reduzida de carboidratos, sendo, portanto, um tipo de dieta low carb. O consumo desse macronutriente — presente em alimentos como batata, arroz, mandioca e massas — é limitado a 20% da alimentação diária. Os outros 80% devem ser compostos por proteínas e gorduras saudáveis, como peixe, frango, ovos, óleo de coco, castanhas, azeite e abacate.
Fonte: disponível em < https://www.cnnbrasil.com.br/saude >. Acesso: 20 mar. 2025 (com adaptações)
Para avaliar os efeitos da dieta cetogênica na saúde, pesquisadores do Centro de Nutrição, Exercício e Metabolismo de uma universidade acompanharam 48 adultos saudáveis durante 12 semanas. O quadro abaixo apresenta os resultados da redução de massa corporal (em kg) desses participantes.
Quadro 1 – Informações de perda de massa (em kg), de pacientes em dieta cetogênica*.

Fonte: elaborado pelo professor, 2025.
*dados fictícios
A) Para esse conjunto de dados, DETERMINE a média, a moda, a mediana, o desvio-padrão e o coeficiente de variação para cada sexo. Sabendo que a variância para os homens foi de 43,8244kg2 e para as mulheres de 13,4689 kg2.
Homens:
Média: 10,71 kg.
Moda: 4 kg.
Mediana: 9 kg.
Desvio-padrão: 6,62 kg.
Coeficiente de variação: 61,82%.
Mulheres:
Média: 7,21 kg.
Moda: 7 kg e 8 kg.
Mediana: 7 kg.
Desvio-padrão: 3,67 kg.
Coeficiente de variação: 50,91%.
B) COMPARE os resultados das estatísticas descritivas entre os grupos.
Ao comparar os resultados entre os grupos, observa-se que os homens apresentaram maior média de perda de massa corporal, com 10,71 kg, enquanto as mulheres apresentaram média de 7,21 kg. A mediana também foi maior entre os homens, sendo 9 kg, em comparação com 7 kg nas mulheres, indicando que, de modo geral, o grupo masculino teve maior redução de massa corporal.
Por outro lado, os homens também apresentaram maior desvio-padrão e maior coeficiente de variação, com 6,62 kg e 61,82%, respectivamente. Já entre as mulheres, o desvio-padrão foi de 3,67 kg e o coeficiente de variação foi de 50,91%. Isso mostra que os resultados dos homens foram mais dispersos, ou seja, houve maior diferença entre as perdas de peso dentro do próprio grupo.
Assim, pode-se concluir que os homens perderam mais massa corporal em média, porém os resultados foram menos homogêneos. Já as mulheres apresentaram menor perda média, mas com resultados um pouco mais próximos entre si.
Questão 03
Um estudo de coorte prospectivo, realizado por um grupo de pesquisadores, avaliou a ligação entre asma e risco de apneia obstrutiva do sono (AOS) em adultos. Os participantes, formado por indivíduos que preenchem os critérios de inclusão e aceitam participar do estudo, foram recrutados aleatoriamente a partir do quadro de funcionários de uma rede de hospitais e foram acompanhados por quatro anos.
Ao final desse estudo, em um congresso, um dos pesquisadores fez a seguinte fala: “Em nosso estudo, foi recrutado uma amostra aleatória de funcionários da nossa rede de hospitais (população de origem), e que 20 estavam aptos a participar do estudo e aceitaram fazê-lo (população de estudo). No relatório final relatamos que a asma aumenta o risco de desenvolvimento de AOS na população de estudo, pois a média do Risco Relativo (RR) foi igual a 1,50. Além disso, para que se leve em conta o erro amostral em virtude do recrutamento de apenas um subgrupo da população de interesse, calculamos o intervalo de confiança de 95% (em torno da estimativa) que vocês poderão consultar no trabalho escrito.
Considerando as informações contidas na fala do pesquisador e assumindo que os dados seguem distribuição normal, construa, com 95% de confiança, o intervalo de confiança que contenha o valor médio de RR populacional. Considere a variância amostral de 0,09 e considere o t crítico para 0,05 igual a 2,0930. Apresente os cálculos.
Para construir o intervalo de confiança de 95%, utilizei os dados informados no enunciado:
Média do Risco Relativo: 1,50
Tamanho da amostra: n = 20
Variância amostral: 0,09
Desvio-padrão: √0,09 = 0,30
Valor de t crítico: 2,0930
A fórmula do intervalo de confiança é:
IC = média ± t crítico × desvio-padrão / √n
Substituindo os valores:
IC = 1,50 ± 2,0930 × 0,30 / √20
IC = 1,50 ± 2,0930 × 0,0671
IC = 1,50 ± 0,1404
Agora, calculando os limites:
Limite inferior:
1,50 – 0,1404 = 1,3596
Limite superior:
1,50 + 0,1404 = 1,6404
Portanto, o intervalo de confiança de 95% para o valor médio do Risco Relativo populacional é: IC 95% = [1,36 ; 1,64]
Assim, com 95% de confiança, estima-se que o valor médio populacional do Risco Relativo esteja entre 1,36 e 1,64. Como todo o intervalo está acima de 1, isso indica que, nesse estudo, a asma esteve associada ao aumento do risco de desenvolvimento de apneia obstrutiva do sono.
Questão 04
O secretário de saúde da sua cidade pediu que você avaliasse duas comunidades com epidemia de dengue. No Bairro A, a maioria das ruas não é pavimentada, o saneamento básico é precário, e as moradias são simples, muitas delas de madeira. Além disso, a população apresenta baixo nível de instrução e resiste às recomendações da vigilância epidemiológica. No Bairro B, a maioria vive em casas de alvenaria de médio e alto padrão. Há muitos terrenos vazios e difícil acesso para buscar focos do Aedes aegypti.
O quadro a seguir apresenta os indicadores da doença nos dois bairros. *

Fonte: elaborado pelo professor, 2025.
*dados fictícios
Assumindo que todo planejamento em saúde começa com um levantamento epidemiológico da situação. Responda:
A) CALCULE o valor da taxa de prevalência da doença, em percentual, nos Bairros A e B, no período considerado.
A taxa de prevalência da dengue no período considerado foi de 21% no Bairro A e 50% no Bairro B. Para chegar a esses valores, foi utilizado o total de casos registrados no período dividido pela população de cada bairro, multiplicando o resultado por 100.
Assim, no Bairro A: 2.100 ÷ 10.000 × 100 = 21%. No Bairro B: 2.500 ÷ 5.000 × 100 = 50%.
B) Considerando os resultados encontrados no item (A), CITE qual dos Bairros teria prioridade na abordagem inicial para possíveis medidas a serem propostas ao Bairro? JUSTIFIQUE sua escolha.
Considerando os resultados encontrados, o Bairro B teria prioridade na abordagem inicial, pois apresentou a maior taxa de prevalência da dengue no período analisado, com 50%, enquanto o Bairro A apresentou 21%.
Isso significa que, proporcionalmente à população, o Bairro B teve maior concentração de casos da doença. Embora o Bairro A também apresente importantes fatores de risco, como saneamento básico precário, ruas sem pavimentação, moradias simples e resistência às orientações da vigilância epidemiológica, o Bairro B mostrou uma situação epidemiológica mais grave em termos percentuais.
Além disso, o próprio caso informa que o Bairro B possui muitos terrenos vazios e difícil acesso para busca de focos do Aedes aegypti, o que pode favorecer a manutenção dos criadouros do mosquito. Portanto, a prioridade inicial deve ser o Bairro B, com ações de vigilância epidemiológica, identificação e eliminação de focos, orientação da população e estratégias para facilitar o acesso aos terrenos vazios.
Questão 05
Nas últimas décadas, a morbimortalidade por doença diarreica infantil diminuiu significativamente no Brasil, refletindo melhorias em indicadores socioeconômicos, demográficos e de saúde. Entre os fatores associados a essa redução estão o acesso ao saneamento básico, nutrição infantil, vacinação, aleitamento materno, escolaridade materna, acesso a serviços de saúde, uso da terapia de reidratação oral e disseminação de informações sobre prevenção e tratamento. No entanto, esses indicadores variam entre regiões.
Um estudo publicado, em 2009, por Melli e Waldman no Jornal de Pediatria analisou a tendência da mortalidade por diarreia entre menores de 5 anos, no município de Osasco (SP), entre os anos de 1980 e 2000. A tabela a seguir apresenta a taxa de mortalidade por diarreia em crianças menores de 5 anos, os valores dos riscos relativos e intervalos e confiança segundo distritos do município e período.
Tabela – Taxa de mortalidade por diarreia em menores de 5 anos*, riscos relativos e intervalos de confiança segundo distritos e período.

IC95% = intervalo de confiança de 95%;
ref = grupo de referência para o cálculo do risco relativo;
RR = Risco Relativo.
* Por 100.000 menores de 5 anos.
** População média estimada para 1º de julho de 1993.
*** População média estimada para 1º de julho de 1998.
Fonte: MELLI, L.C, WALDMAN, E. A.; Temporal trends and inequality in under-5 mortality from diarrhea. J. Pediatr (Rio J). 2009; 85(1):21-27.
Com base nessas informações, responda:
A) DEFINA o que é Risco Relativo (RR), EXPLIQUE seu cálculo e qual seu significado.
O Risco Relativo (RR) é uma medida de associação utilizada em estudos epidemiológicos para comparar o risco de ocorrência de um determinado evento ou doença entre dois grupos. Em outras palavras, ele mostra se um grupo apresenta maior, menor ou igual risco em relação a outro grupo utilizado como referência.
O cálculo do Risco Relativo é feito pela divisão do risco, taxa ou incidência do evento no grupo analisado pelo risco, taxa ou incidência do evento no grupo de referência:
RR = risco no grupo analisado ÷ risco no grupo de referência
A interpretação ocorre da seguinte forma: quando o RR é igual a 1, significa que não há diferença de risco entre os grupos. Quando o RR é maior que 1, indica que o grupo analisado apresenta maior risco em comparação ao grupo de referência. Já quando o RR é menor que 1, indica menor risco em relação ao grupo comparado.
Assim, o RR é importante porque ajuda a compreender se determinada população, distrito ou grupo está mais exposto a um problema de saúde, contribuindo para o planejamento de ações e decisões em epidemiologia.
B) Considerando o período 1991-1995, INTERPRETE o que você observou nos resultados do Risco Relativo (RR) apresentados na tabela.
Considerando o período de 1991-1995, observa-se que o Município foi utilizado como grupo de referência, com RR = 1,0. A partir dele, os demais distritos foram comparados.
O distrito Norte apresentou o maior Risco Relativo, com RR = 3,1, indicando que a mortalidade por diarreia em menores de 5 anos foi cerca de 3,1 vezes maior nesse distrito em relação ao município como referência. Esse resultado mostra uma situação mais preocupante, sugerindo maior vulnerabilidade da população infantil nessa região.
O distrito Sul apresentou RR = 1,1, valor levemente acima de 1, indicando risco um pouco maior que o grupo de referência, porém bem próximo ao valor do município.
Já os distritos Noroeste, Nordeste, Centro, Sudoeste e Sudeste apresentaram valores de RR menores que 1. Isso indica menor risco relativo de mortalidade por diarreia infantil em comparação ao município. Entre eles, o Noroeste apresentou o menor RR, com 0,3, seguido por Centro e Sudeste, ambos com 0,7, e Sudoeste, com 0,8.
Assim, pode-se concluir que, no período de 1991 a 1995, o distrito Norte foi o que apresentou a situação mais grave, pois teve o maior risco relativo de mortalidade por diarreia em menores de 5 anos. Esse dado reforça a importância da epidemiologia para identificar desigualdades entre regiões e orientar ações de saúde pública conforme a necessidade de cada local.
REFERÊNCIAS
CNN BRASIL. Saúde. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude. Acesso em: 20 mar. 2025.
DEMARCHI, Izabel Galhardo; CHATALOV, Renata Cristina de Souza. Bioestatística e Epidemiologia. Maringá: UniCesumar, 2021.
MELLI, Lígia C. F. L.; WALDMAN, Eliseu A. Temporal trends and inequality in under-5 mortality from diarrhea. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 85, n. 1, p. 21-27, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped/a/pVfpcWb6pf3y6CbcrCqxJdK/. Acesso em: 06 maio 2026.
PFIZER. Sua saúde. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/sua-saude. Acesso em: 13 mar. 2025.


