Resposta Mapa: Parasitologia Clínica Módulo 52/2025

Índice

CONTEXTUALIZAÇÃO
O aumento da temperatura em todo o mundo tem causado mudanças climáticas rápidas e generalizadas,com seca que favorece as queimadas, alagamentos ou enchentes em várias regiões do planeta. Entre osefeitos abrangentes das mudanças climáticas, as doenças infecciosas não são poupadas, pois alagamentosou enchentes, por exemplo, favorecem a transmissão de doenças, especialmente as entéricas, quando nocontato com a água contaminada. De acordo com a Organização Mundial da Saúde O M S


(2023), estima-se que pelo menos 1,7 bilhão de pessoas em todo o mundo usam uma fonte de água potávelcontaminada com fezes, causando aproximadamente 505.000 mortes por diarreia a cada ano,principalmente crianças.

A OMS, juntamente com organizações governamentais ou não, trabalha com estreita colaboração emdiversas áreas relacionadas à água e à saúde, incluindo água, saneamento e higiene (OMS, 2023). Apesardos esforços organizacionais, os sistemas de saúde por si só não conseguem resolver todos os problemasde saúde da população, necessitando da colaboração das pessoas especialmente em relação a higiene,educação sanitária, consciência da transmissão de doenças. A falta de educação sanitária, aliada à carênciade escolaridade, contribui significativamente para o aumento da exposição das pessoas a situações de riscopara a transmissão de doenças infecciosas. Quando não há compreensão sobre práticas básicas de higiene eprevenção, a população tende a adotar comportamentos inadequados, se expondo, muitas vezes semcompreender, à riscos à saúde, tornando essas pessoas mais vulneráveis a surtos e epidemias. Paraexemplificar, assista o vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=QyuNa4PGevE

ETAPA 1
Instruções para a realização desta etapa:
A execução da
etapa 1 NÃO está vinculada à prática presencial no polo
. Você deverá ler o caso clínico aseguir, e a partir deste, aplicar os conhecimentos teóricos referentes ao conteúdo da disciplina associadosao caso para responder as perguntas da etapa 1
(itens 1.1, 1.2, 1.3, 1.4, 1.5 e 1.6)
.
Relato de caso clínico
A mãe de uma criança de 4 anos, sexo masculino, em consulta na Unidade de Pronto Atendimento (UPA)de sua cidade, relata que o filho apresenta um quadro de diarreia há 5 semanas, que inicialmente eramesporádicas, com poucas cólicas, mas que nas duas últimas semanas, o número e frequência de evacuaçõestêm aumentado. Relata ainda que o filho vem reclamando com mais frequência de dor abdominal, que asúltimas evacuações vêm apresentando muco e sangue nas fezes e na noite anterior apresentou febre de38,5 ºC, náusea e vômito. A mãe informa não ter realizado nenhum tratamento medicamentoso, apenascom uso de soro caseiro e leite fermentado para os episódios de diarreia.

Ao exame clínico a criança apresentava-se prostrada, levemente febril (37,8ºC) e com dor à palpação nohipocôndrio direito. Exames de sangue, urina e parasitológico de fezes foram solicitados. Exame de urinanormal, parasitológico de fezes (método de sedimentação espontânea) negativo para protozoários ouhelmintos, porém com presença de muco e filetes de sangue. O hemograma mostrou aumento deleucócitos, com elevação dos eosinófilos, transaminases hepáticas (TGO/TGP) alteradas em 5 vezes acima danormalidade, bilirrubina e gama glutamil transferase (gama GT) dentro da normalidade.
A partir do resultado dos exames, o médico questiona a mãe a respeito dos hábitos da criança, comobrincar na terra ou água, moradia, consumo de água filtrada e higienização dos alimentos. A mãe relata quemora em uma região mais afastada da cidade, sem ligação da rede de esgoto, mas que todos os dejetoseram despejados por um cano que saía pelos fundos da casa em um córrego próximo, como faziam osdemais vizinhos. Relata que possui filtro de barro em casa para consumo de água e que higieniza ashortaliças apenas com água corrente. Relata ainda que no período de chuvas, as crianças aproveitam para sebanhar nas ruas alagadiças pela enchente, pois gostam de brincar na água.
Baseado no relato da mãe, o médico solicita novo exame parasitológico de fezes (EPF), mas pelosmétodos direto a fresco e método de centrífugo-flutuação em sulfato de zinco, além de exame sorológicopelo método de ELISA para detecção de anticorpos anti-
Entamoeba histolytica
e ultrassonografia hepática.O EPF pelos dois métodos foram negativos para enteroparasitos, mas a sorologia é fortemente positiva paraanticorpos contra
Entamoeba histolytica (E. histolytica)
e o ultrassom evidencia um pequeno abscessohepático. De acordo com o resultado, a criança foi tratada com metronidazol oral por 10 dias, apresentandomelhora e alta médica após 30 dias de estabilidade.

A partir do relato de caso acima e dos conhecimentos teóricos da disciplina,
RESPONDA:

ETAPA 1

1.1 De acordo com o relato, os sintomas e exames realizados, a criança apresentou amebíase extraintestinal? EXPLIQUE.

RESPOSTA DESEJADA

Com base no relato, a criança apresentou sim um quadro de amebíase extraintestinal. Isso se deve a:

Aspecto clínico e evolução da doença: A criança teve diarreia persistente por 5 semanas, com piora dos sintomas nas últimas duas semanas, começando a apresentar dor abdominal intensa, evacuações com muco e sangue, além de episódios de febre, náusea e vômito. Isso sugere que o processo infeccioso possa estar além do intestino.

– Achados laboratoriais e de imagem: Apesar dos exames parasitológicos de fezes iniciais não terem demonstrado parasitos, a sorologia positiva por anticorpos anti-Entamoeba histolytica e a detecção de um pequeno abscesso hepático na ultrassonografia são evidências decisivas. Além disso, as alterações nas transaminases (TGO/TGP) reforçam a existência de comprometimento hepático.

Contexto epidemiológico: O relato sobre os hábitos de higiene e o contato da criança com água possivelmente contaminada em ambientes externos reforçam a possibilidade de contaminação e posterior disseminação do protozoário da amebíase.

Portanto, considerando os achados clínicos, laboratoriais e epidemiológicos, conclui-se que a criança desenvolveu amebíase extraintestinal.

1.2 O EPF foi negativo para os métodos de sedimentação espontânea, direto a fresco e centrífugo-flutuação em sulfato de zinco, porém a sorologia foi fortemente positiva para anticorpos anti-E.histolytica. Considerando que os métodos foram realizados corretamente EXPLIQUE o que justifica essa ausência de formas parasitárias nas fezes, mas presença de anticorpos no sangue?

RESPOSTA DESEJADA

A explicação para a discrepância entre a ausência de formas parasitárias nas fezes e a forte positividade da sorologia reside na evolução da doença para uma fase extraintestinal e nas limitações naturais dos métodos parasitológicos.

A criança apresenta um quadro de amebíase extraintestinal com abscesso hepático. A infecção avançou além do intestino, reduzindo a quantidade de parasitas eliminados nas fezes, enquanto o sistema imunológico respondeu de forma robusta, gerando anticorpos detectáveis na sorologia. Isso justifica a ausência de formas parasitárias nos exames de fezes e a presença de anticorpos no sangue.

1.3 Para encontro dos trofozoítos de E. histolytica uma amostra diarreica deve ser avaliada em quanto tempo após a emissão? EXPLIQUE.

RESPOSTA DESEJADA

Os trofozoítos de Entamoeba histolytica são formas muito frágeis e rapidamente se degeneram fora do ambiente intestinal. Por isso, para que sejam visualizados em sua forma ativa e morfologicamente preservada, a amostra diarreica deve ser avaliada idealmente dentro de 30 minutos após sua emissão.

Essas condições são determinantes para que o diagnóstico laboratorial se sustente, de forma a confirmar a infecção por E. histolytica quando os métodos parasitológicos diretos são aplicados.

1.4 Neste caso a amebíase extraintestinal atingiu qual órgão? JUSTIFIQUE sua resposta com base nos exames laboratoriais e sintomatologia.

RESPOSTA DESEJADA

No caso apresentado, a amebíase extraintestinal acometeu o fígado. A ultrassonografia hepática revelou a presença de um pequeno abscesso, que é a manifestação clássica de amebíase extraintestinal, evidenciando a invasão do fígado pelo Entamoeba histolytica.

A criança também apresentava dor à palpação no hipocôndrio direito, uma região que corresponde à localização do fígado. Essa dor sugere que o processo infeccioso também está afetando este órgão. Os exames laboratoriais revelaram que as transaminases hepáticas (TGO/TGP) estavam elevadas até cinco vezes acima do normal, o que reforça o comprometimento hepático decorrente da infecção.

1.5 DEFINA qual a provável fonte de contaminação parasitária nessa criança e sua forma evolutiva? CITE pelo menos dois métodos de prevenção que devem ser repassadas à mãe para evitar reinfecções ou exposições a outras doenças infecciosas.

RESPOSTA DESEJADA

A provável principal fonte de contaminação dessa criança é a água contaminada. A mãe mora em uma área sem ligação à rede de esgoto, e os dejetos são despejados em um córrego próximo, as crianças brincam e se banham em águas contaminadas durante as enchentes, o que favorece a transmissão do Entamoeba histolytica.

Métodos de prevenção:

  1. Tratamento adequado da água
  • Incentivar a fervura ou a utilização de métodos eficazes de desinfecção da água antes do consumo, mesmo quando se utiliza filtro de barro, pois esse tipo de filtro pode não eliminar completamente os cistos.
  • Melhoria na higienização dos alimentos
  • Orientar a lavagem criteriosa de hortaliças e frutas, preferencialmente utilizando água potável ou tratada e, se possível, a aplicação de soluções desinfetantes na higienização para reduzir o risco de contaminação.

ETAPA 2
2.1 ANEXE uma foto evidenciando você, como estudante, executando a técnica de sedimentação espontênea.

RESPOSTA DESEJADA

2.2 ANEXE uma foto do campo microscópico em objetiva de 40x, mostrando o ovo de S. mansoni com a presença do espículo lateral.

2.3 ANEXE uma foto do campo microscópico em objetiva de 40x, mostrando a cercária de S. mansoni com a cauda bifurcada.

2.4 CITE qual é a forma evolutiva infectante para o hospedeiro intermediário e definitivo, respectivamente?

RESPOSTA DESEJADA

– Hospedeiro intermediário (caramujo do gênero Biomphalaria):

A forma evolutiva infectante é o miracídio, que eclode do ovo e penetra o caramujo (Biomphalaria) para estabelecer a infecção. A miracídio, que é a forma larval móvel que nada ativamente em busca do caramujo, penetrando seus tecidos para dar continuidade ao ciclo.

– Hospedeiro definitivo (o ser humano):

A forma evolutiva infectante é a cercária, que é liberada pelo caramujo contaminante e penetra a pele humana quando há contato com água doce contaminada. A cercária, que é liberada do caramujo na água doce e possui uma cauda bifurcada, facilitando sua locomoção. Essa forma atravessa a pele do hospedeiro humano ao entrar em contato com águas contaminadas, iniciando a infecção.

Referências

RINCÃO, Vinícius Pires. Parasitologia Clínica. Florianópolis: Arqué, 2023.

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