Resposta Mapa: Nutrição Hospitalar 52/2025

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Nutrição Hospitalar: Triagem Nutricional na Prática Clínica em Pacientes com DPOC

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma condição pulmonar permanente e progressiva, caracterizada pela limitação/obstrução crônica do fluxo aéreo e por exacerbações recorrentes que afetam a função respiratória, geralmente associada a uma resposta inflamatória anormal dos pulmões à inalação de partículas ou gases nocivos, em sua maioria, os casos estão associados ao tabagismo. Essa condição está entre as principais causas de morbimortalidade no mundo, afetando entre 300 a 400 milhões de pessoas. No Brasil estima-se que entre 13 a 15 milhões de pessoas, sofram com essa doença, impactando significativamente a qualidade de vida desses indivíduos, com altas taxas de absenteísmo e aposentadorias precoces.

Do ponto de vista clínico, pacientes com DPOC apresentam risco nutricional elevado, devido ao aumento do gasto energético de repouso (decorrente do esforço respiratório e da resposta inflamatória sistêmica). As alterações metabólicas observadas na DPOC, que, combinadas à redução da ingestão alimentar – frequentemente relacionada à dispneia, fadiga, efeitos colaterais do uso de medicamentos e dos sintomas gastrointestinais – elevam o risco de desnutrição nesses pacientes.

Pereira, et. al. Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica diagnóstico e tratamento – Manual para os Profissionais da Rede Básica de Saúde. 1ª edição.  
SBPT – Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia, 2024. Disponível em https://d1xe7tfg0uwul9.cloudfront.net/sbpt-portal/wp-content/uploads/2024/10/29004701/SBPT_MANUAL_DPOC_FINAL_25_OUT_2024.pdf  


A desnutrição em pacientes com DPOC está associada à redução da força muscular respiratória e periférica, comprometimento da resposta imunológica, aumento da taxa de reinternação, maior tempo de permanência hospitalar e pior prognóstico clínico da doença com maior mortalidade. Desta forma, a triagem e intervenção nutricional precoce são recomendadas como parte da abordagem multidisciplinar ao paciente com DPOC, visando à preservação da massa magra, ao suporte imunológico e à melhora do desempenho físico e da qualidade de vida, sendo considerada uma ferramenta essencial no reconhecimento de indivíduos em risco e na adoção de estratégias nutricionais eficazes.

Costa, et. al.  A Eficácia da Terapia Nutricional na Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Brazilian Journal of Implantology and Health Sciences, 2023.
https://doi.org/10.36557/2674-8169.2023v5n4p1146-1157.


A triagem nutricional é um passo essencial no cuidado em saúde, pois permite a identificação precoce de indivíduos em risco de desnutrição, otimizando o tempo de intervenção nutricional. Ela deve ser rápida, válida e sensível, sendo aplicada por diferentes membros da equipe de saúde com o objetivo de sinalizar a necessidade de uma avaliação nutricional mais aprofundada. A escolha do instrumento adequado depende do perfil do paciente e do ambiente de atendimento, como hospitais, ambulatórios ou instituições de longa permanência. O uso adequado dessas ferramentas contribui diretamente para a melhora do prognóstico clínico, redução da mortalidade, tempo de internação e custos hospitalares.

FRIDRICH, Tanise Fitarelli Pandolfi. Nutrição Hospitalar. Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 252 p.

Agora imagine, que você é nutricionista que acaba de ser contratado(a) em um hospital geral e recebe a solicitação para triagem nutricional de um paciente com DPOC. Sabendo das implicações nutricionais associadas a doença, da importância da avaliação precoce para o estabelecimento do risco nutricional e da adoção de uma conduta dietética adequada que traga mais qualidade de vida ao paciente, você avalia o caso:

Paciente: João Carlos, 69 anos, sexo masculino – Altura: 1,73 m – Peso atual: 58 kg.
Diagnóstico médico: Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), em exacerbação aguda.

Histórico Clínico Recente: João relata perda de peso de aproximadamente 7kg nos últimos 3 meses. João alega que sente cansaço aos mínimos esforços (como tomar banho ou se vestir), fraqueza generalizada e inapetência. Está em uso de oxigenoterapia contínua pois refere dispneia durante as atividades básicas do dia a dia. Vive sozinho, possui dificuldades para preparar suas refeições. Teve dois episódios de internação no último ano, um deles por infecção respiratória. Além da oxigenioterapia, faz uso contínuo de broncodilatadores e corticosteroides, o que tem impactado também no apetite e na aceitação alimentar.

Estado funcional: Anda com dificuldade e se queixa de cansaço ao realizar esforços leves.
Dados do Internamento: internado há 36 horas, ainda sem avaliação nutricional.
 
Agora com base no caso de João, considerando as ferramentas de triagem e avaliação nutricional, bem como as recomendações para pacientes com DPOC, além de seus conhecimentos adquiridos durante a disciplina de Nutrição Hospitalar, com a leitura do livro e através das aulas conceituais e ao vivo, responda as questões descritas abaixo apresentando as respostas de forma sequencial nos locais indicados em seu formulário padrão da atividade mapa:

Para a atividade proposta, você precisara aprofundar seus conhecimentos fazendo a leitura das Unidades 2 e 9 do livro pedagógico. 
FRIDRICH, Tanise Fitarelli Pandolfi. Nutrição Hospitalar. Florianópolis, SC: Arqué, 2024. 252 p.

 
1. Explique a diferença entre triagem nutricional e avaliação nutricional. Destaque os pontos importantes que as diferenciam. No caso do João, a solicitação da triagem nutricional foi realizada dentro do prazo previsto?

RESPOSTA DESEJADA

Triagem nutricional é o primeiro contato com o paciente no aspecto nutricional, cujo objetivo principal é identificar o risco nutricional do paciente de forma precoce e definir o nível de assistência necessário (primário, secundário ou terciário) (FRIDRICH, 2024).

Já a avaliação nutricional é um processo mais completo e aprofundado, realizado geralmente por nutricionistas. Envolve a coleta e análise de dados para elaborar um diagnóstico nutricional preciso e, a partir disso, propor uma conduta adequada para o paciente (FRIDRICH, 2024).

No caso de João, a literatura recomenda que a triagem seja realizada preferencialmente até 24 horas após a internação e, no máximo, em 48 horas. Como ele está internado há 36 horas, a solicitação da triagem nutricional encontra-se dentro do prazo aceitável.

2. Com base no caso apresentado, determine o diagnóstico nutricional de João com base no IMC. A partir do diagnostico nutricional, considerando a idade e o diagnóstico clínico do paciente, qual instrumento de triagem nutricional poderia ser utilizado nesse caso? Justifique.

RESPOSTA DESEJADA

Cálculo do IMC: 

– Peso: 58 kg 

– Altura: 1,73 m 

IMC = peso / altura²

IMC = 58 / (1,73²)

IMC = 58 / 2,9929

IMC = 19,38 kg/m²

Em idosos, valores de IMC abaixo de 22 kg/m² podem alertar para risco nutricional. No caso de João, o IMC de aproximadamente 19,4 kg/m², aliado à significativa perda de 7 kg em três meses, indica que ele já se encontra em situação de risco nutricional classificado como baixo peso.

3. O paciente João Carlos apresenta risco nutricional? Justifique utilizando critérios clínicos e funcionais que sustentam seu diagnóstico.

RESPOSTA DESEJADA

João apresenta claros sinais de risco nutricional, evidenciados por vários critérios:

  • Perda de peso significativa: Redução de aproximadamente 7 kg em 3 meses;
  • Baixo IMC: Com cerca de 19,4 kg/m², o paciente se encontra em uma faixa crítica para idosos, onde geralmente se espera um valor um pouco mais elevado para segurança nutricional;
  • Sintomas clínicos: Relato de cansaço aos mínimos esforços, fraqueza generalizada e inapetência, que comprometem a ingestão adequada;
  • Comprometimento funcional: Dificuldade para realizar atividades básicas (como tomar banho ou se vestir) e uso continuo de oxigenoterapia devido à dispneia.

4. Considerando o caso, quais devem ser os principais objetivos estratégicos da conduta nutricional inicial? Aponte os valores de recomendação de energia e proteínas indicadas para João e quais nutrientes merecem atenção especial em pacientes com diagnostico de DPOC.

RESPOSTA DESEJADA

  • Restabelecimento do estado nutricional: Corrigir ou prevenir o agravamento da desnutrição, revertendo a perda de peso e preservando a integridade da massa muscular;
  • Preservação da massa magra: Essencial para manter a força dos músculos respiratórios e a funcionalidade geral, contribuindo para uma melhor performance nas atividades diárias;
  • Aprimoramento da função imunológica: Minimizar riscos de novas infecções (como as respiratórias) e complicações associadas à DPOC;
  • Melhora da qualidade de vida e funcionalidade: Reduzir a fadiga, a dispneia e facilitar a realização de atividades básicas;
  • Adequação à realidade do paciente: Considerar as dificuldades de preparar refeições, sugerindo estratégias práticas como porções menores e mais frequentes ou a utilização de suplementos orais.
  • Recomendações nutricionais para João:
  • Energia: Aproximadamente 25 a 30 kcal/kg/dia. Para um peso de 58 kg, isso corresponde a cerca de 1450 a 1740 kcal/dia;
  • Proteínas: Entre 1,2 a 1,5 g/kg/dia, ou seja, aproximadamente 70 a 87 g/dia, para ajudar na manutenção e recuperação da massa muscular.
  • Nutrientes de atenção especial em pacientes com DPOC:
  • Antioxidantes (ex.: vitaminas C e E): Ajudam a neutralizar o estresse oxidativo, que é elevado na DPOC;
  • Micronutrientes anti-inflamatórios (ex.: magnésio, selênio): Importantes para regular respostas inflamatórias, contribuindo para uma melhora na função imunológica;
  • Ômega-3: Possui ação anti-inflamatória e pode auxiliar na preservação da integridade muscular e na melhora da função respiratória;
  • Vitaminas do complexo B: Essenciais para o metabolismo energético e regeneração celular, contribuindo para um melhor aproveitamento dos nutrientes e energia fornecidos.

A estratégia nutricional, portanto, deve visar não só suprir as necessidades energéticas e proteicas, mas também reduzir os efeitos inflamatórios e oxidativos da DPOC, possibilitando assim a melhoria do desempenho funcional e da qualidade de vida do paciente.

Referências Bibliográficas:

FRIDRICH, Tanise Fitarelli Pandolfi. Nutrição Hospitalar. Florianópolis, SC: Arqué, 2024.

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