MAPA Bioestatística e Epidemiologia com respostas.

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Mapa Bioestatística e Epidemiologia

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Questão 01 O tromboembolismo venoso acontece quando um coágulo se forma na circulação sanguínea, prejudicando o fluxo de sangue nas veias pelo organismo. Essa doença é muito comum e, quando não tratada corretamente, pode se agravar e até levar a morte. Ela atinge uma pessoa a cada mil por ano e é uma das principais causas de óbitos no mundo. Quando o paciente já está internado, a prevenção é realizada com medicamentos anticoagulantes. 
Fonte: < https://www.pfizer.com.br/sua-saude >. Acesso: 13 mar 2025. (com adaptações)
Um estudo hipotético de 2024 com 600 mulheres usuárias de anticoagulante oral avaliou a associação entre tromboembolismo e tipo sanguíneo. Entre as participantes, 165 tiveram tromboembolismo. O tipo A foi o mais comum (249 pacientes), seguido dos tipos O (237) e B (81). Entre as pacientes sem tromboembolismo, 210 eram do tipo O, 153 do tipo A e 57 do tipo B. Com base nas informações fornecidas, COMPLETE os números faltantes da tabela

Tabela – presença de tromboembolismo e grupo sanguíneo em estudo de 2024.

Grupo sanguíneoDoenteSadiaTotal
A96153249
B245781
AB181533
O27210237
TOTAL165435600

Questão 02 A dieta cetogênica — caracterizada pelo baixo consumo de carboidratos e alto teor de proteínas e gorduras — pode contribuir para a perda de peso. No entanto, pode também elevar os níveis de colesterol ruim e reduzir a quantidade de bactérias intestinais benéficas à saúde. Essas conclusões foram obtidas em um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade de Bath, no Reino Unido, e publicado na revista Cell Reports Medicine. Essa dieta é definida pela ingestão reduzida de carboidratos, sendo, portanto, um tipo de dieta low carb. O consumo desse macronutriente — presente em alimentos como batata, arroz, mandioca e massas — é limitado a 20% da alimentação diária. Os outros 80% devem ser compostos por proteínas e gorduras saudáveis, como peixe, frango, ovos, óleo de coco, castanhas, azeite e abacate.
Fonte: disponível em < https://www.cnnbrasil.com.br/saude >. Acesso: 20 mar. 2025 (com adaptações)

Para avaliar os efeitos da dieta cetogênica na saúde, pesquisadores do Centro de Nutrição, Exercício e Metabolismo de uma universidade acompanharam 48 adultos saudáveis durante 12 semanas. O quadro abaixo apresenta os resultados da redução de massa corporal (em kg) desses participantes.

Quadro 1 – Informações de perda de massa (em kg), de pacientes em dieta cetogênica*.

Fonte: elaborado pelo professor, 2025.

*dados fictícios

A) Para esse conjunto de dados, DETERMINE a média, a moda, a mediana, o desvio-padrão e o coeficiente de variação para cada sexo. Sabendo que a variância para os homens foi de 43,8244kg2 e para as mulheres de 13,4689 kg2.

Homens:

Média: 10,71 kg.

Moda: 4 kg.

Mediana: 9 kg.

Desvio-padrão: 6,62 kg.

Coeficiente de variação: 61,82%.

Mulheres:

Média: 7,21 kg.

Moda: 7 kg e 8 kg.

Mediana: 7 kg.

Desvio-padrão: 3,67 kg.

Coeficiente de variação: 50,91%.

B) COMPARE os resultados das estatísticas descritivas entre os grupos.

A comparação entre os grupos demonstra que os homens apresentaram maior média de perda de massa corporal, correspondente a 10,71 kg, enquanto as mulheres registraram média de 7,21 kg. A mediana também foi superior no grupo masculino, com 9 kg, em comparação a 7 kg no grupo feminino. Esses resultados indicam que, de maneira geral, os homens apresentaram maior redução de massa corporal. Entretanto, o grupo masculino também apresentou maior variabilidade nos resultados, com desvio-padrão de 6,62 kg e coeficiente de variação de 61,82%. Entre as mulheres, o desvio-padrão foi de 3,67 kg, e o coeficiente de variação correspondeu a 50,91%. Isso demonstra que as perdas de massa corporal foram mais dispersas entre os homens, havendo maior diferença entre os resultados individuais desse grupo. Dessa forma, conclui-se que os homens apresentaram maior perda média de massa corporal, porém com resultados menos homogêneos. As mulheres, por sua vez, tiveram menor perda média, mas apresentaram valores relativamente mais próximos entre si.

Questão 03 Um estudo de coorte prospectivo, realizado por um grupo de pesquisadores, avaliou a ligação entre asma e risco de apneia obstrutiva do sono (AOS) em adultos. Os participantes, formado por indivíduos que preenchem os critérios de inclusão e aceitam participar do estudo, foram recrutados aleatoriamente a partir do quadro de funcionários de uma rede de hospitais e foram acompanhados por quatro anos Ao final desse estudo, em um congresso, um dos pesquisadores fez a seguinte fala: “Em nosso estudo, foi recrutado uma amostra aleatória de funcionários da nossa rede de hospitais (população de origem), e que 20 estavam aptos a participar do estudo e aceitaram fazê-lo (população de estudo). No relatório final relatamos que a asma aumenta o risco de desenvolvimento de AOS na população de estudo, pois a média do Risco Relativo (RR) foi igual a 1,50. Além disso, para que se leve em conta o erro amostral em virtude do recrutamento de apenas um subgrupo da população de interesse, calculamos o intervalo de confiança de 95% (em torno da estimativa) que vocês poderão consultar no trabalho escrito.  Considerando as informações contidas na fala do pesquisador e assumindo que os dados seguem distribuição normal, construa, com 95% de confiança, o intervalo de confiança que contenha o valor médio de RR populacional. Considere a variância amostral de 0,09 e considere o t crítico para 0,05 igual a 2,0930. Apresente os cálculos

Para construir o intervalo de confiança de 95%, utilizei os dados informados no enunciado:

A média do Risco Relativo foi de 1,50, considerando uma amostra de 20 observações. A variância amostral correspondeu a 0,09, resultando em um desvio-padrão de:

Desvio-padrão = √0,09 = 0,30

Para o cálculo do intervalo de confiança de 95%, foi utilizado o valor crítico de t = 2,0930, conforme a seguinte fórmula:

IC = média ± t crítico × (desvio-padrão ÷ √n)

Substituindo os valores:

IC = 1,50 ± 2,0930 × (0,30 ÷ √20)

IC = 1,50 ± 2,0930 × 0,0671

IC = 1,50 ± 0,1404

Assim, os limites do intervalo são:

Limite inferior:
1,50 − 0,1404 = 1,3596

Limite superior:
1,50 + 0,1404 = 1,6404

Portanto, o intervalo de confiança de 95% para a média populacional do Risco Relativo é:

IC 95% = [1,36; 1,64]

Dessa forma, estima-se, com 95% de confiança, que o valor médio populacional do Risco Relativo esteja entre 1,36 e 1,64. Como todo o intervalo se encontra acima de 1, os resultados indicam uma associação entre a presença de asma e o aumento do risco de desenvolvimento de apneia obstrutiva do sono.

Questão 04 O secretário de saúde da sua cidade pediu que você avaliasse duas comunidades com epidemia de dengue. No Bairro A, a maioria das ruas não é pavimentada, o saneamento básico é precário, e as moradias são simples, muitas delas de madeira. Além disso, a população apresenta baixo nível de instrução e resiste às recomendações da vigilância epidemiológica. No Bairro B, a maioria vive em casas de alvenaria de médio e alto padrão. Há muitos terrenos vazios e difícil acesso para buscar focos do Aedes aegypti.

O quadro a seguir apresenta os indicadores da doença nos dois bairros. *

Fonte: elaborado pelo professor, 2025.*dados fictícios
 

Assumindo que todo planejamento em saúde começa com um levantamento epidemiológico da situação. Responda:

A) CALCULE o valor da taxa de prevalência da doença, em percentual, nos Bairros A e B, no período considerado.

A prevalência da dengue no período analisado foi de 21% no Bairro A e de 50% no Bairro B. Para obter esses resultados, dividiu-se o número total de casos registrados pela população de cada bairro e, em seguida, multiplicou-se o valor encontrado por 100.

No Bairro A, o cálculo foi:

2.100 ÷ 10.000 × 100 = 21%

No Bairro B, realizou-se o seguinte cálculo:

2.500 ÷ 5.000 × 100 = 50%

Dessa forma, observa-se que o Bairro B apresentou maior prevalência de dengue, com percentual superior ao dobro do registrado no Bairro A.

B) Considerando os resultados encontrados no item (A), CITE qual dos Bairros teria prioridade na abordagem inicial para possíveis medidas a serem propostas ao Bairro? JUSTIFIQUE sua escolha.

Considerando os resultados obtidos, o Bairro B deve ser priorizado na abordagem inicial, pois apresentou a maior prevalência de dengue no período analisado, correspondendo a 50%, enquanto o Bairro A registrou 21%. Esse resultado demonstra que, proporcionalmente ao número de habitantes, o Bairro B apresentou maior concentração de casos da doença. Embora o Bairro A também apresente fatores de risco relevantes, como condições precárias de saneamento básico, ausência de pavimentação, moradias simples e resistência às orientações da vigilância epidemiológica, a situação do Bairro B mostrou-se mais grave sob o ponto de vista epidemiológico. Além disso, a presença de numerosos terrenos vazios e a dificuldade de acesso para a identificação de focos do Aedes aegypti podem favorecer a permanência de criadouros e a continuidade da transmissão. Dessa forma, recomenda-se que as primeiras ações sejam direcionadas ao Bairro B, incluindo intensificação da vigilância epidemiológica, identificação e eliminação de focos, orientação dos moradores e criação de estratégias que facilitem o acesso aos terrenos vazios.

Questão 05

Nas últimas décadas, a morbimortalidade por doença diarreica infantil diminuiu significativamente no Brasil, refletindo melhorias em indicadores socioeconômicos, demográficos e de saúde. Entre os fatores associados a essa redução estão o acesso ao saneamento básico, nutrição infantil, vacinação, aleitamento materno, escolaridade materna, acesso a serviços de saúde, uso da terapia de reidratação oral e disseminação de informações sobre prevenção e tratamento. No entanto, esses indicadores variam entre regiões. Um estudo publicado, em 2009, por Melli e Waldman no Jornal de Pediatria analisou a tendência da mortalidade por diarreia entre menores de 5 anos, no município de Osasco (SP), entre os anos de 1980 e 2000. A tabela a seguir apresenta a taxa de mortalidade por diarreia em crianças menores de 5 anos, os valores dos riscos relativos e intervalos e confiança segundo distritos do município e período.
Tabela – Taxa de mortalidade por diarreia em menores de 5 anos*, riscos relativos e intervalos de confiança segundo distritos e período.

IC95% = intervalo de confiança de 95%;
ref = grupo de referência para o cálculo do risco relativo;
RR = Risco Relativo.
* Por 100.000 menores de 5 anos.
** População média estimada para 1º de julho de 1993.
*** População média estimada para 1º de julho de 1998.
Fonte: MELLI, L.C, WALDMAN, E. A.; Temporal trends and inequality in under-5 mortality from diarrhea. J. Pediatr (Rio J). 2009; 85(1):21-27.
 
Com base nessas informações, responda:


A) DEFINA o que é Risco Relativo (RR), EXPLIQUE seu cálculo e qual seu significado.

O Risco Relativo (RR) é uma medida de associação utilizada em estudos epidemiológicos para comparar a probabilidade de ocorrência de determinada doença ou evento entre dois grupos. Esse indicador permite identificar se o grupo analisado apresenta risco maior, menor ou semelhante em relação ao grupo adotado como referência.

O cálculo é realizado por meio da seguinte fórmula:

RR = risco no grupo analisado ÷ risco no grupo de referência

A interpretação do resultado ocorre da seguinte maneira: quando o RR é igual a 1, não há diferença de risco entre os grupos; quando o RR é maior que 1, o grupo analisado apresenta maior risco de ocorrência do evento; e, quando o RR é menor que 1, esse grupo apresenta menor risco em comparação ao grupo de referência. Dessa forma, o Risco Relativo constitui uma ferramenta importante para identificar grupos mais vulneráveis ou expostos a determinados problemas de saúde, contribuindo para a análise epidemiológica, o estabelecimento de prioridades e o planejamento de ações de prevenção e intervenção.

B) Considerando o período 1991-1995, INTERPRETE o que você observou nos resultados do Risco Relativo (RR) apresentados na tabela.

A análise do período de 1991 a 1995 demonstra que o Município foi adotado como grupo de referência, apresentando Risco Relativo igual a 1,0. A partir desse parâmetro, foram realizadas as comparações com os demais distritos. O distrito Norte apresentou o maior Risco Relativo, com RR = 3,1, indicando que a mortalidade por diarreia em crianças menores de cinco anos foi aproximadamente 3,1 vezes maior nessa região em comparação ao Município. Esse resultado evidencia uma situação epidemiológica mais preocupante e sugere maior vulnerabilidade da população infantil local. O distrito Sul apresentou RR = 1,1, valor ligeiramente superior a 1. Isso indica um risco um pouco maior do que o observado no grupo de referência, embora a diferença seja pequena. Por outro lado, os distritos Noroeste, Nordeste, Centro, Sudoeste e Sudeste apresentaram valores de Risco Relativo inferiores a 1, indicando menor risco de mortalidade por diarreia infantil em comparação ao Município. Entre eles, o distrito Noroeste registrou o menor valor, com RR = 0,3. Os distritos Centro e Sudeste apresentaram RR = 0,7, enquanto o Sudoeste registrou RR = 0,8. Dessa forma, conclui-se que, entre 1991 e 1995, o distrito Norte apresentou a situação mais grave, por possuir o maior risco relativo de mortalidade por diarreia em menores de cinco anos. Esses resultados demonstram a importância da epidemiologia na identificação de desigualdades territoriais e no direcionamento de ações de saúde pública conforme as necessidades de cada região.

REFERÊNCIAS

CNN BRASIL. Saúde. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/saude. Acesso em: 20 mar. 2025.

DEMARCHI, Izabel Galhardo; CHATALOV, Renata Cristina de Souza. Bioestatística e Epidemiologia. Maringá: UniCesumar, 2021.

MELLI, Lígia C. F. L.; WALDMAN, Eliseu A. Temporal trends and inequality in under-5 mortality from diarrhea. Jornal de Pediatria, Rio de Janeiro, v. 85, n. 1, p. 21-27, 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/jped/a/pVfpcWb6pf3y6CbcrCqxJdK/. Acesso em: 06 maio 2026.

PFIZER. Sua saúde. Disponível em: https://www.pfizer.com.br/sua-saude. Acesso em: 13 mar. 2025.

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