Contextualização do Caso (Situação-Problema Fictícia)
Você é enfermeiro(a) recém-integrado(a) a uma unidade de internação hospitalar, passando a assumir responsabilidades assistenciais e gerenciais junto à equipe de enfermagem.
Durante sua atuação inicial, observa que a prática profissional desenvolvida na unidade encontra-se fortemente centrada na execução de procedimentos técnicos, tais como administração de medicamentos, realização de curativos e monitorização clínica. Entretanto, percebe-se que outros aspectos fundamentais do cuidado em enfermagem apresentam fragilidades importantes.
No cotidiano assistencial, evidencia-se pouca atenção às necessidades emocionais, subjetivas e individuais dos pacientes, ações que são realizadas de forma mecanizada, distante da complexidade que caracteriza o processo de cuidar. Adicionalmente, observa-se fragilidade significativa na comunicação entre profissionais, pacientes e familiares.
As orientações são frequentemente transmitidas de maneira rápida, pouco clara e sem garantia de compreensão, não havendo espaço para escuta ativa ou acolhimento das demandas apresentadas.
No que se refere à organização do trabalho, identificam-se limitações relacionadas ao planejamento e à gestão das atividades. As escalas são elaboradas sem critérios bem definidos, há fragilidade na supervisão das ações e pouca integração entre os membros da equipe, o que impacta diretamente na qualidade e na continuidade da assistência prestada.
Por fim, observa-se a ausência de uma abordagem integral ao paciente, que é frequentemente considerado apenas em sua dimensão biológica e clínica. Aspectos sociais, emocionais e familiares não são incorporados ao planejamento e à execução do cuidado, o que contraria os fundamentos da enfermagem enquanto prática voltada à integralidade e à compreensão do sujeito em sua totalidade.
Assim, você, enquanto futuro enfermeiro, também será desafiado nesta atividade mapa a ampliar o seu conhecimento sobre humanização e atuação do enfermeiro.
Em sua atividade mapa, você deverá ler o caso apresentado e, juntamente com o que foi aprendido na disciplina, responder a algumas perguntas separadas em etapas:
ETAPA 1 – ANÁLISE DA PRÁTICA PROFISSIONAL
1.1 Explique por que a prática observada na unidade pode ser considerada reducionista, tendo em vista os fundamentos da enfermagem como profissão.
A prática observada na unidade pode ser caracterizada como reducionista, pois restringe a atuação da Enfermagem à execução de procedimentos técnicos, como administração de medicamentos, realização de curativos e verificação de sinais clínicos. Embora essas atividades sejam essenciais para a assistência, elas não contemplam toda a complexidade do trabalho desenvolvido pelo profissional de Enfermagem. Conforme os conteúdos estudados na disciplina, a Enfermagem fundamenta-se em uma concepção ampla de cuidado, direcionada não somente ao tratamento da doença, mas também à atenção integral ao paciente. Isso envolve considerar sua história de vida, o contexto familiar, as necessidades emocionais, sociais e subjetivas, além dos aspectos biológicos e clínicos. Quando o paciente é atendido apenas sob a perspectiva da doença, sem acolhimento, escuta qualificada, estabelecimento de vínculo e respeito às suas particularidades, a assistência tende a se tornar mecanizada, fragmentada e incompleta. A Política Nacional de Humanização reforça a importância da valorização dos sujeitos, do trabalho em equipe e da corresponsabilização entre profissionais, usuários e familiares, promovendo um cuidado integral e centrado na pessoa. Portanto, a prática apresentada pode ser considerada reducionista porque coloca o enfermeiro apenas na posição de executor de procedimentos. Entretanto, sua atuação profissional deve abranger também o planejamento da assistência, a comunicação, a supervisão da equipe, a educação em saúde, a ética, a humanização e o compromisso com a integralidade do cuidado.
1.2 Identifique duas fragilidades do cuidado presentes no cenário e justifique com base no conteúdo da disciplina.
No cenário apresentado, a primeira fragilidade identificada refere-se à ausência de uma assistência humanizada e integral. Observa-se que os pacientes são atendidos de maneira mecanizada, com maior ênfase na execução de procedimentos técnicos do que na compreensão de suas necessidades emocionais, sociais, familiares e subjetivas. Conforme os conteúdos abordados na disciplina, a Enfermagem não deve direcionar sua atuação exclusivamente ao tratamento da doença, mas ao cuidado da pessoa em sua totalidade, considerando sua história, seus sentimentos, seu contexto familiar e suas condições de vida. Desse modo, quando a assistência se restringe aos aspectos físicos, biológicos e clínicos, o cuidado torna-se fragmentado e deixa de contemplar um dos principais fundamentos da profissão, que consiste em cuidar de pessoas de forma integral, e não apenas realizar tarefas e procedimentos. A segunda fragilidade está relacionada à comunicação insuficiente entre os profissionais da equipe, os pacientes e seus familiares. No caso apresentado, as orientações são fornecidas de forma rápida, pouco esclarecedora e sem a confirmação de que as informações foram devidamente compreendidas. Essa prática pode comprometer o vínculo, a confiança, a segurança do paciente e a continuidade da assistência. A comunicação constitui um instrumento fundamental para a atuação da Enfermagem, pois possibilita acolher, orientar, esclarecer dúvidas e estabelecer uma relação mais humanizada entre profissional, paciente e família. Além disso, a Política Nacional de Humanização destaca a relevância do acolhimento, da escuta qualificada e da corresponsabilização entre os sujeitos envolvidos no cuidado, aspectos que se encontram fragilizados na situação descrita.
ETAPA 2 – PROCESSO DE CUIDAR E COMUNICAÇÃO
2. Analise o papel da comunicação no processo de cuidar e proponha duas estratégias que possam qualificar a comunicação entre equipe, paciente e família. Justifique-as!
A comunicação desempenha um papel essencial no processo de cuidado, pois possibilita ao enfermeiro compreender de forma mais ampla as necessidades do paciente, acolher suas dúvidas e estabelecer uma relação de confiança com ele e seus familiares. Quando esse processo ocorre de maneira inadequada, a qualidade da assistência pode ser comprometida, uma vez que o paciente pode não compreender corretamente as orientações recebidas e, consequentemente, sentir-se inseguro diante do tratamento. Uma das estratégias que pode ser adotada consiste na prática da escuta qualificada, oferecendo espaço para que o paciente e sua família expressem dúvidas, receios, sentimentos e dificuldades. Essa conduta favorece um atendimento mais humanizado e contribui para que a equipe de Enfermagem desenvolva um cuidado mais integral e centrado na pessoa. Outra estratégia importante é o aprimoramento das orientações fornecidas pela equipe, com o uso de uma linguagem clara, simples e acessível. Além disso, é necessário verificar se o paciente e seus familiares compreenderam corretamente as informações transmitidas. Dessa forma, é possível reduzir falhas, promover maior segurança ao paciente e fortalecer a continuidade do cuidado.
ETAPA 3 – QUALIFICAÇÃO DO CUIDADO EM ENFERMAGEM 3. Proponha duas intervenções que favoreçam a qualificação do cuidado, considerando uma abordagem ética, profissional, gerencial e centrada na integralidade do paciente.
Uma primeira intervenção consiste no fortalecimento da assistência humanizada, por meio da criação de espaços de acolhimento e escuta qualificada, permitindo que o paciente seja compreendido para além de sua condição clínica. Nesse processo, a equipe de Enfermagem deve considerar suas necessidades físicas, emocionais, sociais e familiares, respeitando sua dignidade, individualidade, autonomia e participação ativa no próprio cuidado. A segunda intervenção refere-se ao aprimoramento da organização do trabalho da equipe de Enfermagem, com a definição adequada das escalas, maior presença da supervisão e realização de reuniões breves para o alinhamento das condutas profissionais. Essas medidas contribuem para uma distribuição mais equilibrada das responsabilidades, favorecem a comunicação entre os membros da equipe e possibilitam uma assistência mais segura, ética, organizada e contínua ao paciente.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Política Nacional de Humanização (PNH). 1. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2013. Disponível em: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/politica_nacional_humanizacao_pnh_folheto.pdf. Acesso em: 2 abr. 2026.
SILVA, Vladimir Araújo da. A Enfermagem como Profissão. Maringá: UniCesumar, 2022.
