As alterações cromossômicas estão relacionadas a diversas condições genéticas, podendo causar malformações, dificuldades no desenvolvimento e perdas gestacionais. Essas alterações podem ocorrer durante a divisão celular, especialmente na meiose, e estão associadas a fatores como a idade materna.
Fonte: SILVA, M. F. P. T. B. Fundamentos de genética humana. Unicesumar: Maringá–PR, 2021
Com base nesses conhecimentos, analise o caso clínico a seguir e responda às questões propostas.
Caso Clínico: Ana e Carlos procuraram atendimento médico após o nascimento de seu bebê. Durante a avaliação clínica, o médico observou que a criança apresenta características fenotípicas como face achatada, prega palmar única e hipotonia muscular. Diante da suspeita clínica, foi solicitado um exame de cariotipagem:

Além disso, durante a anamnese, o casal relatou histórico familiar das seguintes condições genéticas:
- Fibrose cística: doença genética de herança autossômica recessiva, manifestada em indivíduos com genótipo ff.
- Polidactilia: característica genética de herança autossômica dominante, manifestada em indivíduos que possuem pelo menos um alelo dominante P (P_).
Histórico familiar:
Uma versão mais clara e acadêmica:
- Ana não apresenta fibrose cística, porém possui um irmão diagnosticado com a doença.
- Carlos também não apresenta fibrose cística, embora sua mãe seja afetada pela condição.
- Ana apresenta polidactilia, assim como seu pai.
- Carlos não apresenta polidactilia, e não há histórico dessa característica em sua família.
1) Após analisar o quadro clínico descrito, responda:
a) Qual a provável síndrome cromossômica apresentada pela criança?
A síndrome cromossômica mais provável apresentada pela criança é a Síndrome de Down. Essa conclusão pode ser estabelecida a partir da associação entre as características clínicas observadas, como face achatada, prega palmar única e hipotonia muscular, e o resultado do cariótipo, identificado como 47,XX,+21.
Esse cariótipo demonstra a presença de um cromossomo 21 adicional, condição denominada trissomia do cromossomo 21, que corresponde à principal alteração cromossômica associada à Síndrome de Down.
Posso também deixar esse trecho mais humanizado ou mais técnico, conforme o padrão da sua atividade.
b) Qual alteração cromossômica está associada a essa síndrome?
A síndrome cromossômica mais provável apresentada pela criança é a Síndrome de Down. Essa conclusão pode ser estabelecida a partir da associação entre as características clínicas observadas, como face achatada, prega palmar única e hipotonia muscular, e o resultado do cariótipo, identificado como 47,XX,+21.
Esse cariótipo demonstra a presença de um cromossomo 21 adicional, condição denominada trissomia do cromossomo 21, que corresponde à principal alteração cromossômica associada à Síndrome de Down.
c) Explique como o cariótipo permite chegar a esse diagnóstico.
O cariótipo é um exame que possibilita a organização e a análise dos cromossomos de um indivíduo, permitindo identificar alterações tanto em sua quantidade quanto em sua estrutura. No caso apresentado, o resultado 47,XX,+21 demonstra que a criança possui 47 cromossomos, em vez dos 46 normalmente encontrados nas células humanas.
A representação XX indica o sexo cromossômico feminino, enquanto a indicação +21 revela a presença de uma cópia adicional do cromossomo 21. Essa alteração é denominada trissomia do cromossomo 21 e confirma o diagnóstico de Síndrome de Down.
2) Com base no histórico familiar, responda:
a) Determine os genótipos de Ana e Carlos para fibrose cística. Em seguida, elabore o quadro de Punnett e indique a probabilidade de a criança apresentar a doença. Justifique.
A fibrose cística é uma doença de herança autossômica recessiva. Isso significa que, para manifestar a doença, o indivíduo precisa herdar dois alelos recessivos, apresentando o genótipo ff.
Ana não apresenta fibrose cística, mas possui um irmão afetado pela doença. Considerando, para fins de análise do caso, que Ana seja portadora do alelo recessivo, seu genótipo será Ff. Carlos também não apresenta a doença, porém sua mãe é afetada e, portanto, possui genótipo ff.
Dessa forma, Carlos obrigatoriamente herdou um alelo f de sua mãe. Como ele não manifesta a fibrose cística, o outro alelo herdado deve ser dominante, resultando no genótipo Ff.
Assim, temos:
Ana: Ff
Carlos: Ff
Quadro de Punnett:
| Cruzamento | F | f |
|---|---|---|
| F | FF | Ff |
| f | Ff | ff |
A partir do cruzamento entre dois indivíduos heterozigotos (Ff × Ff), são obtidas as seguintes probabilidades:
| Genótipo | Resultado | Probabilidade |
|---|---|---|
| FF | Sem a doença e não portador | 25% |
| Ff | Sem a doença, mas portador do alelo recessivo | 50% |
| ff | Com fibrose cística | 25% |
Portanto, considerando esse cruzamento, existe 25% de probabilidade de a criança apresentar fibrose cística, 50% de probabilidade de ser saudável e portadora do alelo recessivo e 25% de probabilidade de ser saudável e não portadora.
b) Determine os genótipos de Ana e Carlos para polidactilia. Elabore o quadro de Punnett e indique a probabilidade de a criança apresentar essa característica. Justifique.
A polidactilia é uma característica de herança autossômica dominante, o que significa que a presença de apenas um alelo dominante P é suficiente para que a característica se manifeste. Dessa forma, um indivíduo com polidactilia pode apresentar os genótipos PP ou Pp. Já os indivíduos que não apresentam essa característica possuem, necessariamente, o genótipo pp.
No caso apresentado, Ana possui polidactilia, assim como seu pai, enquanto Carlos não apresenta essa característica e não possui histórico familiar relacionado a ela. Para a realização do cruzamento genético proposto, considera-se que Ana seja heterozigota, apresentando genótipo Pp, e que Carlos possua genótipo pp.
Assim, temos:
Ana: Pp
Carlos: pp
Quadro de Punnett:
| Cruzamento | p | p |
|---|---|---|
| P | Pp | Pp |
| p | pp | pp |
A partir do cruzamento entre Pp × pp, são obtidas as seguintes probabilidades:
| Genótipo | Resultado | Probabilidade |
|---|---|---|
| Pp | Apresenta polidactilia | 50% |
| pp | Não apresenta polidactilia | 50% |
Portanto, considerando esse cruzamento, existe 50% de probabilidade de a criança apresentar polidactilia e 50% de probabilidade de não apresentar essa característica.
3) Qual a probabilidade de a criança apresentar fibrose cística e não apresentar polidactilia? Explique utilizando a regra do “E” (probabilidade conjunta).
A probabilidade de a criança apresentar fibrose cística e, ao mesmo tempo, não apresentar polidactilia é de 12,5%.
Para a fibrose cística, considerando o cruzamento entre Ana (Ff) e Carlos (Ff), existe uma probabilidade de 25%, ou 1/4, de a criança apresentar o genótipo ff e, consequentemente, manifestar a doença.
Em relação à polidactilia, considerando o cruzamento entre Ana (Pp) e Carlos (pp), há uma probabilidade de 50%, ou 1/2, de a criança apresentar o genótipo pp, não manifestando essa característica.
Assim, aplicando-se a regra da multiplicação para eventos independentes, conhecida como regra do “E”, temos:
1/4 × 1/2 = 1/8
Convertendo o resultado para porcentagem:
1/8 = 12,5%
Portanto, a probabilidade de a criança apresentar fibrose cística e não apresentar polidactilia é de 12,5%.
Referências:
SILVA, Maria Fernanda Piffer Tomasi Baldez da. Fundamentos de genética humana. Maringá, PR: UniCesumar, 2021.
