a. Número de amostras e intervalo de tempo entre as punções.
– Adultos (suspeita geral de bacteremia/sepsis): coletar 2 conjuntos (cada conjunto = 1 frasco aeróbio + 1 anaeróbio) antes do antibiótico, de locais distintos, com 15–30 min entre si (se possível). Em instabilidade, coletar os 2 conjuntos em sequência e iniciar antibiótico.
– Endocardite/hemocultura difícil: 3 conjuntos nas primeiras 1–2 h ou até 24 h.
– Pediatria: geralmente 1–2 conjuntos conforme peso/volume disponível.
b. Volume de sangue e locais de punção.
– Adultos: 20–30 mL por conjunto (ideal: 10 mL em cada frasco aeróbio e anaeróbio). O volume é o fator mais crítico para positividade.
– Pediatria: usar frasco pediátrico; coletar 1–3 mL (lactentes) ou conforme tabela de peso/idade; priorizar aeróbio quando o volume for baixo.
– Locais de punção: venopunção periférica (preferencial) em dois sítios diferentes; evitar coleta por cateter/port (usar apenas se sem acesso periférico ou para investigação de infecção relacionada a cateter).
c. Procedimento de coleta.
- Identificar paciente e higienizar mãos; paramentar EPI.
- Antissepsia das tampas dos frascos (álcool 70%) e da pele: clorexidina alcoólica 2% (friccionar 30 s e deixar secar completamente). Se alergia, usar PVPI. Não repalpar após antissepsia (se necessário, usar luva estéril).
- Punção periférica com sistema fechado (butterfly) sem tocar no sítio.
- Ordem de inoculação:
- Com butterfly: aeróbio primeiro, depois anaeróbio (evita entrada de ar no anaeróbio).
- Com seringa: anaeróbio primeiro, depois aeróbio.
- Inocular o volume correto em cada frasco (adulto: 10 mL), sem ultrapassar a marca; não refrigerar.
- Homogeneizar suavemente (não agitar vigorosamente), rotular (data/hora, sítio, coletor) e enviar imediatamente ao laboratório/incubador (ideal: < 2 h).
- Registrar antes do antibiótico; se já em uso, informar horário da última dose.
d. Coleta de hemoculturas para diagnóstico de infecção relacionada a cateter vascular.
Para investigar infecção relacionada ao cateter, colho as hemoculturas ao mesmo tempo: uma por veia periférica e outra pelo próprio cateter (se tiver vários lúmens, uma de cada lúmen). Em adultos, uso o mesmo volume nos dois conjuntos (em geral 20–30 mL por conjunto, divididos em dois frascos). Antes da punção, pauso soro e antibiótico por alguns minutos e capricho na higiene: álcool 70% nas tampas dos frascos e clorexidina alcoólica 2% na pele e no hub; deixo secar bem e evito tocar de novo no local. Coletado o sangue, inoculo direto nos frascos, respeitando o volume indicado, não refrigero, identifico cada frasco com site/lúmen e horário e envio logo ao laboratório (de preferência em até 2 horas). No cateter, não descarto os primeiros mililitros, porque ajudam a mostrar colonização do lúmen. Se o cateter for retirado, envio também cerca de 5 cm da ponta para cultura, o que complementa o diagnóstico. Depois, o laboratório compara o tempo para positivar entre a amostra periférica e a do cateter; quando a do cateter dá positiva bem antes, isso reforça a suspeita de infecção ligada ao dispositivo.