Na Figura 1, o PIMS aparece na camada de sistemas gestores, ao lado de servidores e bancos de dados. Ele recebe os dados que sobem do chão de fábrica a partir de CLPs e sistemas SCADA, armazenando e organizando séries temporais com valor, carimbo de tempo, qualidade do sinal e contexto técnico. A partir desse tratamento, o PIMS converte dado bruto em informação útil para manutenção, qualidade, energia e produtividade, oferecendo uma base única e confiável para consultas, análises e indicadores.
Logo acima, o MES utiliza as informações consolidadas pelo PIMS para conduzir a execução da manufatura no dia a dia. É no MES que as ordens de produção são detalhadas, os lotes são acompanhados, a genealogia é rastreada, os apontamentos de produção e de qualidade são registrados e os indicadores operacionais, como OEE, são calculados. Ao integrar-se ao ERP, o MES fecha o ciclo com materiais, clientes, custos e finanças. Em síntese, o PIMS funciona como a espinha dorsal de dados da planta, enquanto o MES orquestra a produção com base nessas informações e conecta a operação às áreas corporativas.
No Plano Diretor de Automação Industrial, essa relação é definida desde a concepção da arquitetura. O PDAI inicia com o levantamento de TAGs, os requisitos de coleta e a padronização de variáveis, e progride até o dimensionamento dos sistemas gestores. Nesse percurso, o PIMS é selecionado e dimensionado para garantir coleta confiável, histórico consistente, padronização semântica e acesso transparente aos dados; o MES é posicionado como o sistema de execução que consome essas informações e viabiliza decisões operacionais e estratégicas ao integrá-las ao ERP. Dessa forma, o PIMS sustenta a qualidade da informação, e o MES transforma essa informação em ação coordenada, compondo a visão “sensor à diretoria” que o PDAI pretende alcançar.
O material didático reforça a dependência hierárquica entre as camadas. As decisões do nível superior serão tão assertivas quanto for fiel o dado tratado nos gestores. Por isso, um PIMS bem implementado alimentando o MES é essencial para que a gestão e o ERP recebam indicadores confiáveis para o planejamento de produção, o consumo de insumos, a alocação de mão de obra e até a estimativa de demanda energética, fechando o ciclo de planejar, executar, medir e melhorar.
GENTILIN, Fábio Augusto. Automação industrial. Maringá: UniCesumar, 2020.
INTERNATIONAL SOCIETY OF AUTOMATION. Enterprise-Control System Integration – Part 1: Models and Terminology. ANSI/ISA-95.00.01-2010 (IEC 62264-1 Mod). Research Triangle Park, NC: ISA, 2010.