Contextualização
A análise do fluido cerebroespinal (líquor) é fundamental para o diagnóstico de diversas condições que afetam o sistema nervoso central (SNC), como meningites, doenças inflamatórias, processos desmielinizantes, leucemias, linfomas, esclerose múltipla, hemorragia subaracnóidea e neurosífilis. Por ser um fluido de composição delicada e sensível a alterações, a análise laboratorial deve seguir critérios técnicos rigorosos.
Com base na leitura do material da disciplina, responda:
A) EXPLIQUE por que a análise do fluido cerebroespinal deve ser realizada preferencialmente em até duas horas após a coleta.
A análise do líquor deve ser feita de preferência em até duas horas após a coleta porque, nesse intervalo, ainda se preservam a morfologia celular (evitando degradação das células e perda de características diagnósticas), a concentração de glicose (que pode ser consumida por leucócitos e microrganismos) e a carga microbiana da amostra; atrasos distorcem contagens celulares, bioquímica e cultura, comprometendo a interpretação clínica.
B) Quando a contagem global de leucócitos no fluido cerebroespinal revela pleocitose, realiza-se a contagem diferencial como parte da análise citológica, auxiliando na identificação do agente etiológico. Com base nisso, DESCREVA o que representa a predominância de linfócitos, neutrófilos e eosinófilos na amostra analisada.
Quando a contagem global excede o valor de referência (≤5 células/mm³) e caracteriza pleocitose, realiza-se a contagem diferencial para orientar a etiologia. Predomínio de linfócitos costuma indicar meningite viral, tuberculosa ou fúngica (e pode aparecer, ocasionalmente, em meningite bacteriana e em esclerose múltipla); já o predomínio de neutrófilos é mais compatível com meningite bacteriana, embora também possa ocorrer na fase inicial de meningites viral, tuberculosa ou fúngica e em situações como hemorragia subaracnóidea, injeções intratecais e tumores meníngeos; por fim, o predomínio de eosinófilos sugere infecções parasitárias (ex.: neurocisticercose) ou reações alérgicas. Todas essas orientações constam da apresentação “Líquido Cefalorraquidiano e Fluido Sinovial”, da Prof.ª Fabiane Rubin