TÉCNICA 2 – ANÁLISE OBSERVACIONAL DO CICLO DA MARCHA

Índice

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1) Introdução

A marcha constitui uma forma de locomoção resultante da integração entre o sistema musculoesquelético, o controle neurológico, o equilíbrio e a capacidade de iniciar e manter o deslocamento corporal. O ciclo da marcha corresponde ao período compreendido entre dois contatos consecutivos do mesmo pé com o solo. De acordo com Moretto e Corrêa (2024), esse ciclo é dividido em fase de apoio, que representa aproximadamente 60% do movimento, e fase de balanço, correspondente aos 40% restantes.

Durante a avaliação observacional, o fisioterapeuta analisa as diferentes subfases da marcha, verificando o contato inicial, a transferência de peso, o período de apoio, a retirada do pé do solo e o avanço do membro inferior. Também são observados aspectos como simetria, comprimento dos passos, cadência, movimentação da pelve, posicionamento do tronco e presença de possíveis compensações durante o deslocamento.

2) Justificativa dos elementos utilizados para a realização da técnica

Para este exemplo, o participante caminharia por uma pista reta de dez metros, em velocidade confortável, realizando pelo menos três passagens. A marcha seria observada nas vistas anterior, posterior e lateral, pois cada posição fornece informações específicas. A análise lateral favorece a identificação das fases de apoio e balanço, enquanto a vista frontal permite avaliar a largura da base de sustentação, o alinhamento dos joelhos e o deslocamento da pelve.

Sempre que possível, a avaliação seria complementada por filmagem, possibilitando a revisão do movimento em velocidade reduzida. O uso do calçado deve ser definido de acordo com o objetivo da análise. Inicialmente, a marcha pode ser observada com o calçado habitual e, caso seja seguro, repetida sem ele. Também é fundamental registrar a utilização de bengala, muleta, órtese ou qualquer outro dispositivo auxiliar, pois esses recursos podem modificar o padrão de marcha apresentado.

2.1) Equipamentos usados

• Corredor ou pista plana, livre de obstáculos e com boa iluminação, preferencialmente com extensão de dez metros.

• Fita métrica e marcações no piso, utilizadas para delimitar com precisão o início, o final e a distância do percurso.

• Cronômetro, empregado para registrar o tempo de deslocamento e estimar a velocidade da marcha.

• Celular ou câmera com tripé, necessários para filmar o movimento nas vistas frontal, posterior e lateral.

• Cones, utilizados para sinalizar e organizar os pontos de início e término do trajeto.

• Ficha de observação para o registro dos dados e, quando necessário, cinto de marcha para proporcionar maior segurança durante a avaliação.

3) Indicações e contraindicações Indicações:

Indicações para avaliação da marcha:

  1. Pessoas que apresentam claudicação, passos curtos, arraste dos pés ou assimetria durante a caminhada.
  2. Pacientes em recuperação de lesões, períodos de imobilização ou cirurgias nos membros inferiores, desde que estejam liberados para realizar a marcha.
  3. Indivíduos com condições neurológicas capazes de comprometer o equilíbrio, a coordenação e o controle motor.
  4. Pessoas idosas com histórico de quedas, insegurança ao caminhar ou redução da velocidade da marcha.

Contraindicações ou situações que exigem adiamento ou adaptação da técnica:

  1. Incapacidade de permanecer em pé ou caminhar com segurança, mesmo com o uso de dispositivos auxiliares.
  2. Presença de dor aguda intensa ou lesão recente agravada pela descarga de peso sobre os membros inferiores.
  3. Instabilidade cardíaca, respiratória, circulatória ou hemodinâmica no momento da avaliação.
  4. Período pós-operatório ou presença de fratura sem autorização profissional para apoio e deambulação.

REFERÊNCIAS

HAMILL, Joseph et al. Bases biomecânicas do movimento humano. 4. ed. Barueri, SP: Manole, 2016.

HOUGLUM, Peggy A.; BERTOTI, Dolores B. Cinesiologia clínica de Brunnstrom. 6. ed. Barueri, SP: Manole, 2014.

MORETTO, Anacléia Fernanda; CORRÊA, Paula Dittrich. Movimento funcional humano. Organização de Juliete Palandi. Florianópolis, SC: Arqué, 2024. Reimpresso em 2025. 224 p.

OATIS, Carol A. Cinesiologia: a mecânica e a patomecânica do movimento humano. 2. ed. Barueri, SP: Manole, 2014.

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