DESENVOLVENDO O TRABALHO

IMPORTANTE: Esse formulário não contém todas as informações contidas na atividade, sendo insuficiente para responder o MAPA, é necessário que faça a leitura e acompanhamento pelo Studeo.
CONTEXTUALIZAÇÃO
A leishmaniose tegumentar (LT) configura-se como uma das principais doenças negligenciadas de caráterinfecto-parasitário, apresentando-se como um grave problema de saúde pública no Brasil e em diversospaíses tropicais. Causada por protozoários do gênero
Leishmania
e transmitida pela picada deflebotomíneos infectados, a patologia manifesta-se clinicamente por meio de lesões cutâneas e, em formasmais graves, por comprometimento das mucosas das vias aéreas superiores. O ciclo biológico do parasitoenvolve o parasitismo intracelular obrigatório em macrófagos do hospedeiro vertebrado, o que exige dosistema imunológico uma resposta celular robusta e específica. No cenário clínico, o diagnóstico laboratorialpreciso é fundamental, visto que as lesões podem ser confundidas com outras enfermidadesdermatológicas. Além do impacto físico, a LT carrega um forte estigma social devido às cicatrizesdesfigurantes que pode deixar, reforçando a necessidade de uma compreensão profunda por parte dosprofissionais de saúde sobre seu diagnóstico, tratamento e medidas de controle epidemiológico. NEVES, D. P. Parasitologia Humana
. 13. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2016.
PARTE 1 – AÇÃO PRÁTICA EM CAMPO:
Você é um profissional da saúde em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) e percebeu um aumento nonúmero de pacientes com lesões cutâneas suspeitas. Ao conversar com os moradores, notou que muitosdesconhecem o “mosquito-palha” ( Lutzomyia longipalpis
) e acreditam que a doença é transmitida apenaspor água parada, como a Dengue.
Como especialista, você identificou que a falta de informação sobre o ciclo de transmissão e o manejoambiental é o principal obstáculo para a redução de casos na sua região. Sua missão é educar a comunidadesobre o ciclo real da LT, com foco no reconhecimento e controle de disseminação do vetor, na identificaçãoda lesão e na orientação do fluxo de diagnóstico, utilizando ferramentas digitais e ações presenciais.
PARTE 1 – AÇÃO PRÁTICA EM CAMPO:
QUESTÃO 1 – CRIE um material gráfico (usando Canva ou PowerPoint) priorizando as informações contidas na atividade:

QUESTÃO 2 – Com o folder em mãos, você deve realizar a intervenção na comunidade. DISTRIBUA-OS em locais estratégicos (próximo a postos de saúde, praças ou vizinhança).

PARTE 2 – ESTUDO TEÓRICO:
A) EXPLIQUE qual o melhor local de escolha para coleta e por que ele é determinante para encontrar as formas amastigotas?
O melhor local para a coleta do material é a borda interna e ativa da lesão, principalmente quando se trata de uma ferida ulcerada. Esse local é mais indicado porque é onde há maior atividade inflamatória e maior chance de encontrar células infectadas pelo parasito. Antes da coleta, a lesão deve estar limpa, evitando retirar apenas secreção, crostas ou tecido muito necrosado, pois isso pode dificultar a visualização do agente causador.
Esse local é determinante porque as formas amastigotas da Leishmania vivem dentro de células de defesa, principalmente os macrófagos presentes na pele. Como essas células costumam estar em maior quantidade na borda ativa da lesão, a coleta nessa região aumenta a possibilidade de encontrar o parasito no exame direto.
Portanto, escolher corretamente o ponto de coleta é essencial para melhorar a qualidade da amostra e favorecer um diagnóstico mais seguro da leishmaniose tegumentar.
B) DESCREVA o procedimento de coleta por escarificação (raspado) da lesão e o processo de coloração.
A coleta por escarificação, também chamada de raspado da lesão, deve ser realizada por profissional capacitado, seguindo cuidados de biossegurança. Inicialmente, a lesão deve ser limpa com solução adequada, retirando excesso de secreção, crostas superficiais ou impurezas que possam atrapalhar a análise. Depois, escolhe-se preferencialmente a borda interna e ativa da lesão, pois é a região com maior chance de conter macrófagos infectados pela Leishmania.
Com o auxílio de uma lâmina de bisturi, espátula ou outro instrumento estéril, realiza-se uma raspagem delicada, mas suficiente, da borda da ferida para obter material celular. Esse material coletado é espalhado em uma lâmina de vidro, formando um esfregaço fino e uniforme. Em seguida, a lâmina deve secar ao ar e ser fixada, geralmente com metanol, para preservar as estruturas celulares e parasitárias.
Após a fixação, realiza-se a coloração, que pode ser feita por métodos como Giemsa ou Panótico Rápido. A coloração é importante porque permite diferenciar melhor as células do hospedeiro e as formas amastigotas do parasito. Depois de corada, lavada e seca, a lâmina é analisada ao microscópio, geralmente em objetiva de imersão, buscando as formas amastigotas no interior ou próximas aos macrófagos.
Portanto, a qualidade da coleta, o preparo adequado da lâmina e a coloração correta são etapas fundamentais para aumentar a chance de visualizar o parasito e confirmar o diagnóstico laboratorial da leishmaniose tegumentar.
C) DESCREVA as principais diferenças morfológicas entre as formas amastigotas e promastigotas e CITE onde cada uma é encontrada.
As formas amastigotas e promastigotas da Leishmania apresentam diferenças importantes, tanto na aparência quanto no local onde são encontradas durante o ciclo do parasito.
A forma amastigota é menor, arredondada ou ovalada, não apresenta flagelo livre visível e possui estruturas internas como núcleo e cinetoplasto. Ela é encontrada no hospedeiro vertebrado, principalmente dentro dos macrófagos, que são células de defesa presentes na pele e nos tecidos. Na leishmaniose tegumentar, essa é a forma mais importante para o diagnóstico direto, pois pode ser observada nas células coletadas da lesão.
Já a forma promastigota é alongada, fusiforme, apresenta flagelo livre na região anterior e também possui núcleo e cinetoplasto. Essa forma é encontrada no inseto vetor, ou seja, no trato digestivo do mosquito-palha. Durante o ciclo, quando o mosquito infectado pica uma pessoa, ele pode inocular formas promastigotas na pele. Depois disso, elas são fagocitadas pelos macrófagos e se transformam em amastigotas.
Portanto, de forma resumida, a amastigota é a forma arredondada, sem flagelo livre, encontrada dentro dos macrófagos do hospedeiro humano ou animal; enquanto a promastigota é a forma alongada, com flagelo livre, encontrada no mosquito-palha.
REFERÊNCIA
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Departamento de Vigilância das Doenças Transmissíveis. Manual de vigilância da leishmaniose tegumentar. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2017.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Ações Estratégicas de Epidemiologia e Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 2. 6. ed. rev. Brasília, DF: Ministério da Saúde, 2024.
NEVES, David Pereira. Parasitologia humana. 13. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2016.
RINCÃO, Vinícius Pires. Parasitologia clínica. Florianópolis, SC: Arqué, 2023.


